O presidente da Associação de Caçadores de Angola (ACA), Mário Ribeiro, considerou, nesta quarta-feira, 8 de Julho, grave, a caça furtiva no país, considerando que os dois casos recentes de abate de rinocerontes na província do Cunene alertam para o perigo.
Mário Ribeiro falava à Lusa sobre uma tentativa de abate de três rinocerontes-brancos fêmeas no interior de uma fazenda, localizada no município da Cahama, província do Cunene. O ataque, perpetrado em Junho por um grupo de indivíduos armados com uma espingarda do tipo AK-47, levou o responsável a alertar para a gravidade do fenómeno.
Segundo Ribeiro, o calibre utilizado não era adequado para a caça de rinocerontes, razão pela qual os animais ficaram feridos, mas não morreram.
“A fêmea que levou cerca de cinco tiros (…) foi a única que tivemos de abater, com sabedoria de um veterinário que veio da Namíbia, ele deu-lhe a eutanásia”, avançou, acrescentando que as outras duas fêmeas foram operadas e sobreviveram.
Na referida fazenda existiam 11 rinocerontes, todos importados no âmbito de um programa de repovoamento daquela região.
O líder da ACA adiantou que a polícia está a investigar o caso e já deteve um suspeito, enquanto os restantes envolvidos fugiram ao aperceberem-se da aproximação de uma viatura. “Está detido um suspeito, que à tarde esteve a conversar com os trabalhadores da fazenda a pedir informações. Até agora para além do suspeito não sabemos nada mais”, referiu.
Ainda este ano, outro caso, registado numa fazenda da mesma região, resultou no abate de três rinocerontes, igualmente importados com o objectivo de repovoar a área.
Mário Ribeiro salientou que a associação que lidera existe há cerca de 20 anos e tem desenvolvido um trabalho contínuo de combate à caça furtiva, procurando também esclarecer a população de que “o furtivismo não é a mesma coisa que caça de subsistência”. “Nós não temos caça de subsistência, porque as pessoas que matam vêm para as estradas venderem. Quem mata e vem para a estrada vender é caçador furtivo”, afirmou.
Segundo a mesma fonte, além das acções de sensibilização, a associação tem promovido operações de recolha de ratoeiras e de armas, com o apoio da Polícia Nacional. “Está-se a fazer um trabalho muito interessante, principalmente na Estrada Nacional 100, onde se via muitos animais abatidos e hoje já não se vêem”, realçou.
O abate de rinocerontes tem como principal fim a venda dos chifres, colocando em risco a existência dessa espécie
Com o reforço das medidas de repressão por parte das autoridades, acrescentou Mário Ribeiro, os caçadores furtivos estão a encontrar outras zonas onde operar, como a província de Cuanza Sul, para contornar a situação. “Ainda na terça-feira, passei por lá e vi animais endémicos pendurados. Quanto mais animais endémicos perdermos para os caçadores furtivos, mais a nossa vida selvagem sofre; esta é uma situação grave”, observou.
A EcoAngola, uma organização de defesa ambiental, manifestou nesta quarta-feira preocupação sobre a protecção da vida selvagem, considerando “crucial que Angola reforce as suas medidas de protecção à biodiversidade, particularmente a monitorização e responsabilização por crimes ambientais”.
Para o organismo, o caso dos três rinocerontes baleados no Cunene reforça também “a necessidade de uma investigação transparente, bem como do combate à caça furtiva e ao tráfico ilegal de espécies e das suas partes”.
O abate de rinocerontes tem como principal fim a venda dos chifres, colocando em risco a existência dessa espécie.



























































