A Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique reuniu, em Maputo, economistas, académicos e especialistas para analisar os desafios da transformação económica do País. Foi no painel dedicado às dinâmicas económicas entre 2000 e 2015 e ao legado da Agenda 2025 que o economista Egas Daniel defendeu a necessidade de rever o modelo de crescimento adoptado por Moçambique nas últimas décadas.
Na sua intervenção, Egas Daniel recordou que o crescimento económico registado nos primeiros anos após o fim da guerra, frequentemente superior a 7% ao ano, foi impulsionado pelo processo de estabilização do País e pelo regresso das populações às zonas de produção. “O dividendo da paz era inevitável que se traduzisse num crescimento relativamente elevado nos primeiros anos”, afirmou.
Contudo, o economista sustentou que a principal fragilidade esteve na natureza desse crescimento. Segundo explicou, uma parte significativa do Investimento Directo Estrangeiro concentrou-se no sector extractivo e nos megaprojectos, dando origem a um modelo intensivo em capital, com reduzidas ligações aos restantes sectores da economia.
Na sua análise, esta configuração limitou a criação de emprego, dificultou a diversificação da economia e não permitiu que o crescimento se traduzisse numa transformação estrutural capaz de reduzir a pobreza e as desigualdades.
Egas Daniel acrescentou que as receitas geradas pelo sector extractivo também ficaram aquém das expectativas, restringindo a capacidade do Estado para financiar actividades económicas complementares e promover um desenvolvimento mais equilibrado.
Segundo referiu, os resultados dos Inquéritos aos Orçamentos Familiares (IOF) passaram a evidenciar o agravamento das desigualdades sociais e territoriais, contrariando as expectativas criadas em torno do modelo de crescimento adoptado.
“Estamos aqui para reflectir como é que nós mudamos essa direcção e não voltamos a repetir e a cometer os mesmos erros, ou a ignorar os mesmos factores que dificultaram a transformação económica esperada no âmbito da implementação ou do seguimento da visão da Agenda 2025”, afirmou.
Para o economista, a reflexão sobre o percurso económico do País deve servir para identificar os factores que impediram que o crescimento macroeconómico se traduzisse em desenvolvimento inclusivo e para orientar um modelo capaz de promover maior diversificação produtiva, criação de emprego e redução efectiva da pobreza.
A Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique reuniu, em Maputo, economistas, académicos, representantes do Governo, parceiros de desenvolvimento e especialistas nacionais e internacionais para debater os desafios e as perspectivas do desenvolvimento económico do país. O encontro proporcionou uma reflexão sobre o percurso económico de Moçambique, as lições da Agenda 2025 e as políticas necessárias para promover um crescimento mais inclusivo e sustentável.
Egas Daniel participou no painel dedicado à análise das dinâmicas económicas entre 2000 e 2015 e ao legado da Agenda 2025, composto também pelo cientista político José Jaime Macuane, pelo gestor e especialista em finanças Luís Magaço, pela representante do Banco Mundial Isabel Gamberoni, pela economista Virgínia Videira e pelo engenheiro Castigo Langa.
Texto: Felisberto Ruco



























































