As principais praças asiáticas encerraram a sessão desta quarta-feira, 8 de Julho, em terreno negativo, numa altura em que o Médio Oriente volta a centrar as atenções dos mercados. Uma série de ataques dos Estados Unidos da América (EUA) contra o Irão levou os preços do petróleo a acelerar mais de 3%, avivando receios de uma nova escalada do conflito que pode obscurecer as perspectivas da inflação e da política monetária.
O MSCI Asia Pacific — referência para a negociação asiática — fechou com um recuo de 0,33%, com a maioria das praças da região já encerradas. O sul-coreano Kospi chegou a afundar mais de seis por cento durante a sessão, aproximando-se de um bear market — designação utilizada quando um índice ou acção desvaloriza 20 por cento ou mais face aos seus máximos mais recentes —, tendo conseguido reduzir as perdas para 5% no fecho.
Durante a madrugada, os EUA atingiram mais de 80 alvos iranianos em resposta aos mais recentes ataques de Teerão contra três navios no Estreito de Ormuz, de acordo com o Comando Central norte-americano. Washington decidiu também revogar uma isenção às sanções internacionais impostas à República Islâmica, que até então permitia ao Irão vender petróleo a nível mundial.
“Em última análise, o aumento acentuado dos preços do petróleo e a revogação da isenção concedida ao petróleo iraniano reforçam os argumentos a favor de subidas de taxas de juro preventivas por parte dos bancos centrais, devido ao risco contínuo de que a inflação de segunda ordem se instale”, afirmou Sean Keane, estratega para a Ásia-Pacífico na JB Drax Honore, em declarações à Bloomberg.
O Irão já prometeu tomar as «medidas que considerar necessárias» para retaliar. Estes ataques surgem numa altura em que os mercados financeiros já enfrentavam pressão acrescida, devido a um sell-off nas fabricantes de semicondutores e nas acções ligadas à Inteligência Artificial (IA). A Guarda Revolucionária do Irão realizou também ataques contra o Bahrein e o Kuwait.
Entre as principais praças asiáticas, os japoneses Nikkei 225 e Topix cederam 1,63% e 0,97%, respectivamente, enquanto o australiano S&P/ASX 200 deslizou 0,84 por cento. Na China, o Shanghai Composite não escapou ao pessimismo e caiu 0,12%. Em contraciclo, o Hang Seng de Hong Kong disparou mais de 3%, impulsionado por uma escalada de 13% nas acções da Alibaba.


























































