O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu que o País deve aproveitar os próximos 25 anos para consolidar a independência económica, transformando o crescimento registado em prosperidade para a população, através de um desenvolvimento mais competitivo, inclusivo e sustentável.
Ao intervir na abertura da Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, que decorre em Maputo sob o lema “Do Balanço à Acção – Rumo ao Desenvolvimento Integrado do País”, o chefe do Estado afirmou que a actual geração tem a responsabilidade de abrir um novo ciclo de desenvolvimento para o País. “Cabe agora à nossa geração escrever um novo capítulo dessa história, fazer dos próximos 25 anos o tempo de construção da nossa independência económica e da consolidação de um Moçambique cada vez mais desenvolvido, competitivo e inclusivo”, declarou.
Segundo Daniel Chapo, a conferência pretende avaliar o percurso de desenvolvimento entre 2000 e 2025 e construir consensos sobre as estratégias para as próximas décadas. “Não nos reunimos apenas para revisitar a nossa história, mas estamos aqui para retirar dela as lições e ilações que nos permitam construir um Moçambique para todos os moçambicanos e sustentável”, afirmou.
O Presidente considerou que, apesar dos avanços registados desde 2000, Moçambique continua confrontado com desafios estruturais que limitam o alcance do crescimento económico, entre os quais a persistência da pobreza, das desigualdades sociais e territoriais, as dificuldades de industrialização, os baixos níveis de produtividade e a insuficiente criação de oportunidades para jovens e mulheres. “A verdade é que crescemos, mas ainda precisamos transformar esse crescimento em produtividade e prosperidade para o povo moçambicano”, reconheceu.
Na sua visão, “uma das grandes tarefas deste novo ciclo de governação consiste precisamente em reduzir a distância entre a economia extractiva moderna, que cresce impulsionada pelos grandes investimentos, e a economia doméstica, ainda pouco produtiva, onde vive e trabalha a maioria dos moçambicanos”, afirmou.
Para Daniel Chapo, “o nosso desafio é assegurar que o dinamismo dos grandes projectos impulsione igualmente a agricultura comercial, a indústria nacional, o turismo, as pequenas e médias empresas e a criação de emprego em todo o território nacional”, disse.
Ao projectar a visão para 2050, o chefe do Estado sustentou que o futuro económico de Moçambique não pode depender apenas da exploração dos recursos naturais, apesar do potencial associado ao gás natural, aos recursos minerais, agrícolas e marinhos. “A abundância de recursos por si só não produz desenvolvimento. O desafio da nossa geração é transformar riqueza natural em riqueza nacional e crescimento económico em desenvolvimento inclusivo e sustentável”, sublinhou.
Para alcançar esse objectivo, o Presidente apontou como áreas fundamentais a diversificação da economia, a valorização do conteúdo local, a modernização da administração pública, a digitalização dos serviços do Estado e o combate à corrupção, reconhecendo que o desenvolvimento exige instituições mais eficientes e próximas dos cidadãos. “Um desenvolvimento verdadeiramente inclusivo exige instituições próximas do cidadão, íntegras, dispostas a servir e a não se servir”, concluiu.
Sobre o evento
A Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique decorre nos dias 8 e 9 de Julho, no Centro Cultural Moçambique-China, em Maputo, reunindo membros do Governo, académicos, investigadores, representantes do sector privado, parceiros de cooperação, organizações da sociedade civil, instituições financeiras e organismos internacionais. Promovido pelo Ministério da Planificação e Desenvolvimento, o encontro pretende fazer um balanço do percurso de desenvolvimento do País entre 2000 e 2025 e construir consensos em torno das prioridades estratégicas para as próximas décadas.
Ao longo dos dois dias, os participantes debatem temas como crescimento económico, transformação estrutural, inclusão social, governação, capital humano, sustentabilidade ambiental e competitividade, contando com intervenções de governantes, economistas, especialistas em desenvolvimento, representantes de universidades, centros de investigação e instituições multilaterais, num exercício de reflexão destinado a contribuir para a definição da visão de desenvolvimento de Moçambique até 2050.
Texto: Felisberto Ruco



























































