A Associação das Agências de Viagens e Turismo de Moçambique (Avitum) afirmou esta terça-feira que as suspeitas de branqueamento de capitais envolvendo agências de viagens, identificadas num relatório oficial, reforçam alertas anteriormente dirigidos ao Governo sobre vulnerabilidades no sector.
A reacção surge após a divulgação de um relatório do Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFiM), que identifica indícios da utilização de agências de viagens e turismo em alegados esquemas de branqueamento de capitais, exportação ilícita de capitais e fraude fiscal. O documento aponta movimentações de, pelo menos, 58,2 mil milhões de meticais, equivalentes a 805,5 milhões de euros, entre Janeiro de 2022 e Setembro de 2025.
“Num passado recente, a Avitum havia chamado a atenção do Estado para a necessidade de restringir o licenciamento de agências de viagens a cidadãos moçambicanos ou a parcerias entre moçambicanos e investidores que tivessem como objectivo desenvolver o sector de forma significativa”, declarou o presidente da associação, João das Neves.
Segundo o responsável, a preocupação apresentada às autoridades visava evitar que práticas já identificadas noutros mercados fossem replicadas em Moçambique e garantir um maior controlo da actividade.
“Infelizmente surgiram algumas agências estrangeiras que, em pouco tempo, se posicionaram como as que mais vendiam em Moçambique e junto de várias companhias aéreas, sem qualquer histórico de presença no nosso mercado. Nessa altura, verificámos que essas mesmas agências emitiam passagens para trajectos internacionais sem partida, escala ou destino em Moçambique”, explicou João das Neves, assinalando que o relatório veio agora “trazer à superfície” mais dados sobre um processo que a Avitum já considerava irregular.
A associação já havia defendido junto do Governo a restrição do licenciamento de agências de viagens e turismo a cidadãos moçambicanos ou a parcerias entre nacionais e investidores estrangeiros, como forma de mitigar práticas irregulares identificadas noutros mercados e reforçar os mecanismos de controlo da actividade.
“Importa referir que a falta de estatísticas fiáveis e de informação de mercado nunca permitiu uma análise sistemática das tendências que possibilitasse à Avitum conhecer o comportamento e a actuação dessas agências”, assinalou o presidente da associação, acrescentando que as empresas visadas no relatório não integravam a Avitum.
João das Neves sublinhou que a associação se distancia das práticas descritas no relatório, que considera prejudiciais para as companhias aéreas, para as agências nacionais e para a economia moçambicana. A Avitum defendeu ainda o reforço da cooperação entre o Estado e as organizações representativas do sector, manifestando disponibilidade para colaborar com as autoridades, tanto no esclarecimento do caso como em iniciativas destinadas a reforçar os mecanismos de prevenção e controlo.
“O Governo deve reforçar a sua parceria com a Avitum como principal braço de apoio ao ordenamento do sector e estimular que todas as agências sejam membros desta associação, porque, desta forma, será mais fácil orientar e acompanhar a actividade”, afirmou o responsável.
O presidente do organismo concluiu, sublinhando que “o fortalecimento do movimento associativo do sector é a forma mais eficaz de o Estado conseguir ter um parceiro estratégico no mercado para auto-regular o mesmo com conhecimento, ponderação e equilíbrio”.
Fonte: Lusa



























































