Moçambique recebeu 1363 cidadãos nacionais repatriados da África do Sul, vítimas de xenofobia, e 6156 malauianos já entraram no País, em trânsito, afectados pela mesma violência, informou esta terça-feira, 7 de Julho, a agência Lusa.
“Desde o início dos ataques xenófobos, 1363 cidadãos nacionais foram repatriados. Entre 1 e 4 de Julho chegaram ao País 625 cidadãos. O Governo está a trabalhar para garantir a continuidade laboral dos nossos concidadãos, estando a proceder ao levantamento das suas profissões”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, em declarações aos jornalistas no final da reunião de hoje (7), em Maputo.
Segundo o responsável, do total dos repatriados, 809 declararam possuir uma profissão, dos quais 363 são pedreiros, 102 artesãos, 87 pintores, 77 empregadas domésticas, além de electricistas, carpinteiros, ladrilhadores e canalizadores, cada um destes grupos com menos de 20 cidadãos.
O Governo adiantou estar em curso o processo de certificação destes cidadãos repatriados, com vista ao seu enquadramento profissional no exterior, no âmbito de memorandos de mobilidade laboral celebrados com países como Portugal e os Emirados Árabes Unidos.
O Presidente da República, Daniel Chapo, já tinha adiantado, a 4 de Julho, que o Governo equacionava integrar as vítimas da xenofobia nos megaprojectos em curso no País e noutras oportunidades de trabalho no exterior, no quadro da cooperação internacional, para responder ao problema do emprego.
O porta-voz do Governo referiu ainda que os ataques se intensificaram em diversas províncias da África do Sul, traduzindo-se em assaltos e incêndios a residências, saques, agressões físicas, intimidações e expulsões forçadas de cidadãos estrangeiros das suas comunidades.
Nas mesmas declarações, Inocêncio Impissa disse que o País já recebeu, em trânsito, pelo menos 6156 cidadãos malauianos, posteriormente transportados para a província de Tete, no centro do País, na fronteira entre o Maláui e Moçambique.
“O Ministério dos Negócios Estrangeiros continua a trabalhar com a Embaixada do Maláui em Moçambique para uma melhor articulação e coordenação das acções de transporte e assistência aos cidadãos malauianos que entram em Moçambique em trânsito para aquele país”, afirmou.
Os episódios de violência contra cidadãos estrangeiros levaram o Governo a reforçar a assistência consular e as operações de repatriamento dos cidadãos afectados, mantendo o acompanhamento da situação através das representações diplomáticas e consulares na África do Sul.

Manifestantes anti-imigração sul-africanos fizeram um ultimato até 30 de Junho para todos os estrangeiros abandonarem o País, e o Governo da África do Sul anunciou, nos últimos dias, restrições às políticas migratórias e o reforço da segurança, com Moçambique a receber cidadãos nacionais repatriados.
O Presidente da República reconheceu, a 1 de Julho, o agravamento da xenofobia na África do Sul, na sequência de incidentes violentos envolvendo cidadãos moçambicanos, e garantiu existirem condições logísticas para o repatriamento e acolhimento das vítimas.
Pelo menos 283 moçambicanos foram agredidos, viram as suas casas incendiadas e bens vandalizados na última vaga de ataques xenófobos na África do Sul, avançou, no mesmo dia, o Governo, que tenta assegurar assistência e o repatriamento.
Moçambique tem cerca de 300 mil cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que muitos já regressaram ao País face à violência verificada.



























































