O Governo alertou esta terça-feira, em Genebra, para o risco de os países em desenvolvimento serem marginalizados no acesso à Inteligência Artificial (IA), defendendo uma participação mais equilibrada na definição das regras globais que orientam este sector.
O alerta foi lançado pelo ministro da Transformação Digital, Américo Muchanga, durante o Diálogo Global sobre a Governação da IA, que decorre na cidade suíça. Segundo um comunicado do Ministério das Comunicações e Transformação Digitais, citado pela Lusa, o governante defendeu que a transformação impulsionada pela IA deve ser “justa, inclusiva e orientada por valores comuns”.
Muchanga advertiu que a concentração do acesso às tecnologias e aos recursos de IA em poucos países e empresas poderá agravar as desigualdades globais e criar “um novo fosso tecnológico, marginalizando os países em desenvolvimento”.
Além dos riscos, o ministro destacou o potencial da IA para impulsionar a produtividade agrícola, melhorar a prestação de cuidados de saúde, expandir o acesso à educação, reforçar a resiliência climática, apoiar a preparação e resposta a desastres naturais e modernizar a administração pública.
Neste contexto, Américo Muchanga afirmou que Moçambique defende a criação de um ecossistema global de IA assente em três pilares fundamentais.
O primeiro consiste numa governação inclusiva, “baseada em regras globais que reflictam as realidades, necessidades e aspirações de todos os países, assegurando uma participação efectiva das nações em desenvolvimento nos processos de decisão”.
O segundo pilar passa pelo desenvolvimento de capacidades, através do investimento “em infra-estruturas digitais resilientes, conectividade acessível, energia fiável, educação de qualidade, literacia digital, investigação científica, inovação e valorização do talento local”.
O terceiro pilar assenta na confiança. Neste âmbito, o governante defendeu que o desenvolvimento e a utilização da IA devem permanecer ancorados na dignidade humana, na transparência, na responsabilização, no respeito pelos direitos humanos, na cibersegurança e no cumprimento do direito internacional.
À margem do Diálogo Global sobre a Governação da IA, Américo Muchanga participa igualmente no Fórum da Cimeira Mundial sobre a Sociedade da Informação (WSIS Forum 2026) e na Cimeira Global AI for Good 2026. Os dois eventos são organizados pela União Internacional das Telecomunicações (UIT), em parceria com diversas agências da ONU, reunindo líderes governamentais, organismos internacionais, sector privado, academia e sociedade civil para debater o futuro da transformação digital e da IA.
Segundo o Ministério das Comunicações e Transformação Digitais, a participação de Moçambique nestes encontros reflecte a disponibilidade do país para trabalhar, em estreita cooperação com os Estados-membros da ONU e parceiros internacionais, na construção de um futuro da IA que seja “aberto, seguro, inclusivo e centrado nas pessoas”.
O Ministério conclui que Moçambique defende que a IA deve constituir “um bem comum ao serviço da humanidade”, sustentando que “o futuro não pertence apenas a quem desenvolve os algoritmos mais poderosos, mas sobretudo a quem garante que a inovação tecnológica promove a dignidade humana, a justiça social e a esperança para todos”.



























































