A Google Cloud anunciou a criação do seu primeiro Digital Exchange Port em África, um centro estratégico de conectividade que será instalado na província de Eastern Cape, na África do Sul. A infra-estrutura, que será a primeira de quatro que a empresa pretende implementar no continente, visa reforçar a ligação de África às principais redes globais de Internet, melhorando a conectividade internacional e a fiabilidade dos serviços digitais.
O anúncio foi feito durante a primeira edição da Google Cloud Summit Africa, realizada no Sandton Convention Centre, em Joanesburgo, onde a empresa apresentou um conjunto de novos investimentos destinados a acelerar a transformação digital e o desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA) em África. A nova infra-estrutura permitirá que a África do Sul se torne um importante ponto internacional de troca de tráfego de dados, ligando directamente África à Austrália através do cabo submarino Umoja e a uma nova rota submarina para a Índia.
Segundo a Google, o projecto visa aumentar a capacidade e a resiliência da infra-estrutura digital africana, impulsionar o crescimento económico e garantir serviços de computação em nuvem mais rápidos e fiáveis para empresas, Governos e utilizadores em todo o continente.
Na abertura da cimeira, o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, afirmou que o investimento reforça o posicionamento do continente na economia digital global. “A Cloud Summit da Google confirma a posição de África como uma região estratégica de crescimento para o ecossistema global da computação em nuvem. À medida que entramos decididamente na era da Inteligência Artificial, a nossa ambição é posicionar a África do Sul como um catalisador da ascensão digital do continente”, afirmou Cyril Ramaphosa.
O lançamento do centro de conectividade integra a estratégia “Building for Africa”, através da qual a Google pretende desenvolver as infra-estruturas e as competências necessárias para impulsionar a inovação baseada em IA no continente. Além do Digital Exchange Port, a empresa anunciou a criação do Google Africa Applied AI Lab, no Gana, o primeiro laboratório africano de Inteligência Artificial aplicada, que irá aproximar empreendedores africanos dos investigadores da Google e disponibilizar acesso antecipado aos mais recentes modelos de IA da empresa.
“Impulsionadas pela nossa Região Cloud de Joanesburgo (…), organizações como a Vodacom, Discovery, Pepkor e Naspers estão a construir as bases necessárias para desenvolver e implementar agentes autónomos capazes de responder a desafios exclusivamente africanos em ambientes reais”,
Maureen Costello, vice-presidente da Google Cloud para o Reino Unido, Irlanda e África Subsaariana
Paralelamente, foram igualmente apresentados um programa de formação em Inteligência Artificial para criadores de conteúdos africanos, em parceria com o The Akuna Group, um centro de inovação digital em Soweto destinado à formação de jovens talentos tecnológicos e a abertura da edição de 2026 do Google for Startups Accelerator, que apoiará 15 startups sul-africanas com foco em IA.
O vice-presidente sénior para Investigação, Laboratórios, Tecnologia e Sociedade da Google, James Manyika, afirmou que a empresa pretende reforçar os investimentos no continente para acelerar o desenvolvimento da IA. “A oportunidade que a Inteligência Artificial representa para África é enorme, e a Google está empenhada em fazer a sua parte, trabalhando com os africanos para ajudar o continente a concretizar esse potencial. Com base nos nossos compromissos anteriores, estamos a realizar novos investimentos em áreas críticas: infra-estrutura, inovação liderada por africanos, educação e desenvolvimento de competências”, afirmou.
O executivo destacou ainda que estes investimentos reforçam o compromisso já assumido de aplicar mais de mil milhões de dólares em África, complementado por 37 milhões de dólares destinados à formação e à investigação em Inteligência Artificial, bem como pela criação, no ano passado, do AI Community Center, em Acra, no Gana.
Por sua vez, a vice-presidente da Google Cloud para o Reino Unido, Irlanda e África Subsaariana, Maureen Costello, afirmou que as empresas africanas já estão a entrar numa nova fase de adopção da IA.
“As empresas africanas ultrapassaram decisivamente as fases iniciais de experimentação com Inteligência Artificial. Impulsionadas pela nossa Região Cloud de Joanesburgo, que deverá contribuir com 90,6 mil milhões de dólares em produção económica adicional e apoiar cerca de 314,9 mil empregos até 2030, organizações como a Vodacom, Discovery, Pepkor e Naspers estão a construir as bases necessárias para desenvolver e implementar agentes autónomos capazes de responder a desafios exclusivamente africanos em ambientes reais”, afirmou.
Acrescentou ainda que as novas iniciativas complementam outros projectos em curso no continente, incluindo parcerias para desenvolver ferramentas de Inteligência Artificial destinadas à previsão precoce da insegurança alimentar, ao reforço da resiliência agrícola, ao financiamento de startups tecnológicas e à formação digital através das bolsas Google Career Certificates.
Fonte: Tech Africa News



























































