Cientistas da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, apelaram nesta terça-feira, 7 de Julho, a um maior acompanhamento da Bacia do Karoo, após terem descoberto indícios de uma falha até agora desconhecida que poderá provocar sismos numa região que o Governo destinou à exploração de gás de xisto.
Segundo noticiou a Reuters, cientistas do Departamento de Ciências Geológicas da Universidade da Cidade do Cabo afirmaram que as suas descobertas sugerem que as condições geológicas associadas à sismicidade induzida noutras regiões de gás de xisto em todo o mundo também podem existir sob partes da Bacia do Karoo.
O seu estudo analisou um “enxame de sismos” perto de Leeu Gamka, na província do Cabo Ocidental, que teve início em 2007 numa área anteriormente considerada relativamente tranquila do ponto de vista sísmico, mas que, desde então, registou pelo menos 66 sismos, incluindo um com uma magnitude de 4,8 na escala de Richter.
O autor principal, Benjamin Whitehead, afirmou que o estudo demonstrou que já existem falhas sob tensão crítica em partes do Karoo.
Os sismos observados no Karoo foram naturais e não causados pela fracturação hidráulica, explicou, embora a experiência global tenha demonstrado que a injecção de águas residuais e as operações de gás de xisto podem reactivar falhas preexistentes sob determinadas condições.
Whitehead disse que as conclusões não devem travar o desenvolvimento do gás de xisto, mas sim orientar decisões futuras, ajudando a identificar áreas onde possam ser necessárias precauções adicionais.
A Agência de Petróleo da África do Sul estima que a Bacia do Karoo contenha cerca de 209 biliões de pés cúbicos (tcf) de recursos de gás de xisto tecnicamente recuperáveis, embora um estudo de 2017 realizado por geólogos da Universidade de Joanesburgo tenha indicado que este valor seria provavelmente de 13 tcf, o limite inferior das estimativas que variam entre 13 tcf e 390 tcf.
Uma moratória de 2011 suspendeu novos pedidos de licenças de reconhecimento de petróleo e gás e de direitos de exploração, depois de grupos ambientalistas terem interposto acções judiciais devido a preocupações de que a fracturação hidráulica pudesse causar danos à região ecologicamente sensível do Karoo.


























































