O sistema bancário moçambicano manteve-se estável, sólido e adequadamente capitalizado em 2025, apesar de os resultados líquidos terem registado uma redução de 38,85% face ao ano anterior, conclui o Relatório de Estabilidade Financeira 2025, divulgado pelo Banco de Moçambique (BdM). Segundo a instituição, a banca nacional continuou resiliente, sustentada por níveis confortáveis de solvabilidade, liquidez e por uma melhoria da qualidade da carteira de crédito.
De acordo com o documento consultado esta terça-feira (7) pelo Diário Económico (DE), os resultados líquidos do sector bancário fixaram-se em 15,13 mil milhões de meticais em 2025, representando uma redução de 38,85% face ao período homólogo. Apesar deste desempenho, o Banco de Moçambique considera que o sector manteve uma rendibilidade satisfatória e continuou a desempenhar um papel relevante na estabilidade do sistema financeiro nacional.
O relatório destaca que o rácio global de solvabilidade aumentou para 28,14%, mais do dobro do mínimo regulamentar de 12%, evidenciando a capacidade das instituições bancárias para absorver perdas e responder a eventuais choques financeiros. Esta evolução foi impulsionada pelo reforço dos fundos próprios das instituições.
A qualidade dos activos também apresentou sinais de melhoria. O rácio de crédito em incumprimento reduziu-se para 7,47%, face aos 9,31% registados no final de 2024. Embora permaneça acima do referencial prudencial internacional de 5%, o banco central considera que esta evolução representa uma inversão da tendência de deterioração observada no ano anterior.
Ao nível da liquidez, o sistema bancário continuou a apresentar indicadores confortáveis. O rácio de cobertura de liquidez de curto prazo fixou-se em 60,46%, acima do mínimo regulamentar de 25%, enquanto os indicadores de rendibilidade permaneceram positivos, com o retorno sobre os activos (ROA) a situar-se em 2,16% e o retorno sobre os capitais próprios (ROE) em 8,63%.
O Banco de Moçambique assinala igualmente uma redução gradual da concentração do mercado bancário. No final de 2025, os três bancos domésticos de importância sistémica — BCI, Millennium bim e Standard Bank — concentravam 58,09% dos activos, 62,18% dos depósitos e 54,04% do crédito concedido pelo sector, valores inferiores aos observados em 2024. Segundo o regulador, esta evolução reflecte o dinamismo dos bancos de menor dimensão na conquista de novas quotas de mercado, contribuindo para o reforço da concorrência no sistema financeiro.
O relatório conclui que o sistema financeiro moçambicano se manteve estável, sólido e bem capitalizado em 2025, apesar da persistência de choques internos e externos. Neste contexto, o Banco de Moçambique decidiu manter inalterados os actuais instrumentos de política macroprudencial, por considerar que o sector dispõe de capacidade suficiente para enfrentar potenciais riscos e preservar a estabilidade financeira.
Texto: Felisberto Ruco


























































