A WeLight, maior operadora de mini-redes solares em África, anunciou um plano de investimento de 650 milhões de dólares para expandir as suas operações e multiplicar por dez o número de pessoas com acesso à energia, apostando em mercados com alguns dos maiores défices de electrificação do mundo, informou a Bloomberg, nesta segunda-feira, 6 de Julho.
Fundada em 2018, a WeLight pretende expandir as suas operações para a Nigéria e a República Democrática do Congo (RDC), dois dos países com maiores défices de acesso à electricidade no mundo. Segundo o director-executivo da empresa, Romain de Villeneuve, a companhia já opera em Madagáscar e no Mali e está também a avaliar a entrada num quinto mercado africano para prosseguir a sua expansão.
A expansão da WeLight junta-se a outras iniciativas em curso no continente para acelerar o acesso à electricidade. O Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) lideram um programa que prevê investimentos de dezenas de milhares de milhões de dólares para garantir o acesso à energia a 300 milhões de africanos até 2030. Uma parte significativa desse objectivo deverá ser alcançada através de soluções fora da rede eléctrica convencional, como as mini-redes solares, tecnologia cuja implementação é igualmente financiada e promovida pelo Banco Mundial.
“Estamos preparados para os próximos passos”, afirmou Romain de Villeneuve, acrescentando: “Queremos atingir um milhão de ligações até 2030. Gostaria que isso acontecesse um pouco mais cedo.”
A WeLight, na qual a Corporação Financeira Internacional (IFC) adquiriu uma participação no mês passado, prevê investir 450 milhões de dólares na expansão das operações na Nigéria e na RDC. Os dois países concentram, em conjunto, cerca de 170 milhões dos mais de 560 milhões de habitantes da África Subsaariana que ainda vivem sem acesso à electricidade. Outros 200 milhões de dólares serão aplicados na consolidação das operações em Madagáscar e no Mali, bem como na entrada num quinto mercado africano, revelou Romain de Villeneuve.
O responsável espera garantir cerca de metade do financiamento através de fundos dedicados às chamadas energias renováveis distribuídas, incluindo o programa DARES, apoiado pelo Banco Mundial na Nigéria, e o Fundo Mwinda, na RDC. O restante deverá ser assegurado através da entrada de novos accionistas, incluindo investidores já presentes no capital da empresa, bem como de financiamento concessionário.
“O capital privado não pode financiar tudo”, frisou.
A Axian Group Ltd., a Sagemcom SAS e a Norfund AS são os accionistas fundadores da empresa, sendo a IFC a única entidade a integrar o capital desde 2018. Actualmente, a WeLight conta com cerca de 65 mil ligações, sobretudo em Madagáscar, e encontra-se a meio de um plano de expansão que deverá elevar esse número para cerca de 90 mil, segundo o director-executivo.


























































