A Administração Nacional das Áreas de Conservação de Moçambique (ANAC) lançou um programa de formação destinado a reforçar os métodos de fiscalização e a capacidade de liderança nas áreas de conservação transfronteiriças do sul do País. A iniciativa decorre no Parque Nacional de Maputo e prolonga-se até 14 de Julho.
A formação reúne mais de 40 gestores e líderes dos parques nacionais de Maputo, Limpopo, Zinave e Banhine, responsáveis pela supervisão de cerca de 378 fiscais florestais que actuam na protecção de algumas das mais importantes áreas de conservação de Moçambique.
Trata-se da primeira actividade operacional do novo programa de formação da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para gestores e fiscais das Áreas de Conservação Transfronteiriças (ACTF), que dispõe de um orçamento regional de 50 milhões de euros, o equivalente a 3,7 mil milhões de meticais.
A iniciativa é financiada pelo Governo da Alemanha, através do Mecanismo de Financiamento das ACTF da SADC, implementado pelo Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW) e pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Em Moçambique, a formação é coordenada pela ANAC, em parceria com a Peace Parks Foundation e o Southern African Wildlife College.
O projecto abrange a Grande Área de Conservação Transfronteiriça do Limpopo, que integra os parques nacionais do Limpopo, Banhine e Zinave, e a paisagem transfronteiriça de Lubombo, onde se localiza o Parque Nacional de Maputo. Estas áreas ligam ecossistemas de Moçambique, da África do Sul e do Zimbabué, reforçando a necessidade de uma gestão conjunta.
Segundo Benjamim Jeromin, chefe-adjunto de Cooperação da Embaixada da Alemanha em Moçambique, a conservação da biodiversidade exige uma resposta coordenada entre os países da região. “Estamos a trabalhar em estreita colaboração com a SADC porque o desafio da protecção e da conservação ambiental é regional. Damos também prioridade à mitigação do conflito entre seres humanos e animais selvagens e ao apoio às comunidades locais. Este programa demonstra o valor da parceria e de estratégias baseadas em evidências para reforçar a capacidade de conservação no terreno”, afirmou.
Benjamim Jeromin explicou ainda que este é o primeiro projecto-piloto do programa de formação, concebido na sequência de uma avaliação de necessidades realizada em 2025. O objectivo é responder à crescente procura por profissionais mais preparados para gerir áreas de conservação transfronteiriças.
Por sua vez, Ndapanda Kanime, oficial sénior de recursos naturais e vida selvagem da SADC, afirmou que a iniciativa integra a estratégia regional para o período 2023-2033 e pretende reforçar as capacidades técnicas e de liderança dos profissionais que trabalham em áreas protegidas. “Investir na capacitação de gestores e guardas florestais é essencial para a gestão e protecção eficazes do nosso património natural comum”, afirmou.
A responsável acrescentou que estas áreas enfrentam desafios cada vez maiores, como a caça ilegal, a degradação dos habitats, os conflitos entre seres humanos e animais selvagens, as alterações climáticas e a pressão sobre os recursos naturais. Por isso, considera que o investimento na formação de gestores e fiscais é essencial para reforçar a protecção e a gestão das áreas de conservação da região.
Fonte: Agência de Informação de Moçambique (AIM)




























































