O ministro da Saúde, Ussene Isse, afirmou esta quinta-feira, 2 de Julho, que o trauma se tornou uma das maiores ameaças à saúde pública no País, com a mortalidade associada a traumatismos físicos a aumentar de cerca de 7% a 8% em 2007 para mais de 30% na actualidade.
Em entrevista à Agência de Informação de Moçambique (AIM), o governante classificou a situação como uma “nova epidemia” e defendeu uma resposta assente no reforço da prevenção e na expansão da capacidade hospitalar.
“O trauma é hoje uma das principais epidemias do nosso país. Está a morrer muita gente por causa”, declarou o ministro.
Segundo explicou, o agravamento dos acidentes de viação e de outras lesões graves levou o Governo a avançar com a criação do Centro Integrado China-Moçambique para o Tratamento do Trauma, uma unidade que pretende posicionar o País como referência africana no tratamento de doentes politraumatizados.
O projecto resulta da cooperação entre Moçambique e a China e deverá tornar-se um dos maiores centros especializados do continente nesta área. “Em 2007, a mortalidade pelo trauma neste País era cerca de 7% ou 8%. Hoje ultrapassa os 30%. Temos de investir, não só no centro, mas também na prevenção”, sublinhou Ussene Isse.
O ministro revelou ainda que o Estado gasta actualmente entre 5 e 6 milhões de dólares por ano no tratamento de vítimas de trauma, muitas das quais necessitam de cirurgias complexas, internamentos prolongados, medicamentos e programas de reabilitação.
“Em 2007, a mortalidade pelo trauma neste país era cerca de 7% ou 8%. Hoje ultrapassa os 30%. Temos de investir, não só no centro, mas também na prevenção”
Ussene Isse
“São doentes politraumatizados. Precisam de internamento, de medicamentos, de operação e de reabilitação. Grande parte deles sofre fracturas e fica internada durante meses, o que representa um peso muito grande para o sistema de saúde”, afirmou.
Além do investimento no novo centro, o governante insistiu que a principal prioridade deve ser a prevenção, apontando o consumo excessivo de álcool como um dos factores que mais contribuem para os acidentes de viação.
“A principal causa dos acidentes tem que ver com o álcool. As pessoas conduzem em estado de embriaguez. Aí estão as consequências que temos nas estradas”, advertiu.
Na mesma entrevista, Ussene Isse anunciou o início de negociações para a instalação de fábricas de medicamentos, equipamentos e material médico em Moçambique, defendendo que a produção nacional ajudará a reduzir a dependência das importações e a melhorar a capacidade de resposta do Sistema Nacional de Saúde em futuras emergências.




























































