O Starlink da SpaceX obteve licenças em 30 países africanos e firmou acordos com duas das maiores operadoras móveis do continente, a Airtel e a MTN. A empresa de satélites está a preparar-se para oferecer conectividade em smartphones sem necessidade de antena parabólica ou torres de telecomunicações.
A principal novidade não reside apenas na expansão da banda larga, mas na forma como a Starlink está a transformar as redes móveis. A Airtel Africa e a SpaceX realizaram testes do serviço em zonas remotas do Quénia.
Durante os testes, smartphones 4G convencionais ligaram-se directamente aos satélites da Starlink em órbita terrestre baixa. Esta ligação permitiu aos utilizadores efectuar chamadas através do WhatsApp, enviar mensagens, utilizar aplicações de navegação, aceder ao Facebook Messenger e realizar transacções móveis através da aplicação da Airtel.
A empresa prevê lançar o serviço Starlink Mobile nos 14 mercados onde a Airtel opera em África até 2026. Numa fase inicial, a oferta incluirá mensagens e acesso limitado a dados para telemóveis compatíveis, sem necessidade de antena parabólica.
A tecnologia funciona porque os satélites da Starlink estão equipados com modems avançados capazes de comunicar como se fossem estações-base de redes móveis. Desta forma, os smartphones podem ligar-se directamente aos satélites através dos protocolos celulares convencionais. Segundo a Airtel, o serviço poderá vir a abranger cerca de 174 milhões de clientes em 14 países.
Em Março, a MTN Zâmbia iniciou a disponibilização do Starlink Mobile no país. Os testes de campo já foram concluídos e a empresa aguarda agora a aprovação das entidades reguladoras para avançar com o lançamento comercial.
Esta tecnologia funciona porque os satélites da Starlink têm modems avançados que comunicam como se fossem torres de rede móvel.
A rede de parceiros da Starlink para serviços de ligação directa a telemóveis abrange actualmente 22 países em todo o mundo, incluindo a Airtel Africa, Optus, Telstra, Rogers, KDDI, Kyivstar e VMO2. No seu conjunto, esta rede poderá servir cerca de 400 milhões de pessoas. Numa fase inicial, o serviço disponibiliza o envio de mensagens SMS, estando prevista a introdução posterior de chamadas de voz e serviços de dados.
A construção de uma estação-base de rede móvel em zonas remotas de África pode custar até 150 mil dólares por localização. O modelo de ligação directa a telemóveis da Starlink elimina esse investimento, permitindo à Airtel manter a relação com os clientes e gerar receitas através de serviços móveis, telemedicina e produtos digitais em regiões que anteriormente não dispunham de cobertura de rede.
No entanto, esta expansão continua a enfrentar vários desafios. Em Março, a Namíbia recusou conceder uma licença de operação à Starlink. Já na África do Sul, a maior economia do continente, a empresa continua impedida de obter autorização, uma vez que a Autoridade Independente das Comunicações da África do Sul (ICASA) exige que todos os operadores licenciados tenham pelo menos 30% do capital detido por pessoas historicamente desfavorecidas, ao abrigo das regras de Empoderamento Económico Negro de Base Alargada.
Nos países onde as licenças já foram concedidas, os reguladores têm imposto condições específicas. Na Costa do Marfim, por exemplo, a Starlink é obrigada a utilizar sistemas que permitam às autoridades monitorizar e suspender temporariamente determinados sinais, reflectindo uma tendência para um maior controlo dos serviços de comunicações por satélite prestados por empresas estrangeiras em todo o continente.
Entretanto, operadoras africanas de telecomunicações, como a Orange, Safaricom, MTN, Vodacom, Telecel e Maroc Telecom, estão a adoptar rapidamente soluções de comunicações por satélite, evidenciando a rapidez com que o panorama concorrencial do sector está a evoluir.
Fonte: Innovation Village




























































