A Gemfields anunciou que o director-executivo, Sean Gilbertson, deixará o cargo e o Conselho de Administração, por acordo mútuo, a partir de 15 de Julho. O director financeiro, David Lovett, assumirá interinamente a liderança da empresa, enquanto o presidente não executivo, Bruce Cleaver, reforçará o acompanhamento da gestão até ser escolhido um sucessor permanente, informou esta terça-feira, 30 de Junho, o portal de notícias Engineering News.
Segundo conta o site, a empresa, cotada nas bolsas de Joanesburgo e Londres, afirmou que “o conselho iniciará oportunamente um processo formal para seleccionar um novo director-executivo, considerando que a solução interina assegura a continuidade da liderança e o foco nas prioridades operacionais e estratégicas”.
Apesar da mudança na gestão, a Gemfields anunciou que o seu primeiro leilão “Trade Select” de rubis, realizado entre 22 e 29 de Junho, gerou receitas de 23,1 milhões de dólares, após a venda de 82 dos 89 lotes colocados no mercado, correspondentes a 93,2% das pedras disponibilizadas.
O director de Produto e Vendas da empresa, Adrian Banks, considerou o resultado encorajador, afirmando que o novo formato permitiu responder melhor à procura do mercado e alargar a participação dos compradores, apesar das actuais dificuldades enfrentadas pelo sector das pedras preciosas coloridas.
Produção na mina de Montepuez afectada por queda da qualidade dos rubis
A Gemfields revelou, contudo, que a sua participada Montepuez Ruby Mining (MRM), da qual detém 75%, continua a enfrentar uma redução da produção de rubis de elevada qualidade, devido ao declínio dos teores do minério explorado.
Segundo a empresa, os rubis premium representam mais de 70% das receitas da MRM, embora correspondam a menos de 5% do volume produzido. O teor médio destas pedras caiu de 0,06 quilates por tonelada em 2025 para 0,03 quilates por tonelada nos primeiros cinco meses deste ano.
O conselho iniciará oportunamente um processo formal para seleccionar um novo director-executivo, considerando que a solução interina assegura a continuidade da liderança e o foco nas prioridades operacionais e estratégicas
Gemfields
A situação foi agravada pelas chuvas intensas registadas no primeiro trimestre, que limitaram o acesso às áreas mais produtivas da concessão, e pelos problemas de entrada em funcionamento da segunda unidade de processamento (PP2), cuja conclusão está prevista para o terceiro trimestre deste ano.
A empresa admite que “estes factores terão impacto negativo na disponibilidade de rubis para os próximos leilões” e informa que “a intensificar trabalhos de prospecção em zonas com maior potencial, ao mesmo tempo que mantemos medidas de controlo de custos iniciadas em 2024”.
Segurança, mineração ilegal e reembolsos do IVA agravam pressão financeira
A Gemfields referiu igualmente que a situação de segurança em torno da mina continua a inspirar preocupação. Entre o final de Abril e Maio, várias aldeias situadas entre 15 e 35 quilómetros da concessão sofreram ataques atribuídos a grupos armados, obrigando a empresa a suspender temporariamente as operações por cerca de 20 horas.
Embora as condições tenham melhorado e a actividade tenha regressado à normalidade relativa, a empresa denuncia a entrada diária de cerca de 700 garimpeiros ilegais na concessão, situação que representa riscos para trabalhadores, comunidades e para a conservação dos recursos minerais.
A companhia acrescenta que a MRM continua também a enfrentar dificuldades de tesouraria devido ao atraso no reembolso do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), acumulando créditos de 28,3 milhões de dólares até 30 de Junho. Segundo a Gemfields, “a conjugação da redução da qualidade dos rubis, dos desafios operacionais da nova fábrica, da insegurança, da mineração ilegal e dos atrasos nos reembolsos fiscais deverá afectar negativamente a produção, a qualidade das pedras e o fluxo de caixa da operação em Moçambique”.




























































