A TotalEnergies prevê instalar uma central fotovoltaica de 7,1 MegaWatts (MW) em Afungi, na província de Cabo Delgado, no âmbito da construção em curso da unidade de produção de Gás Natural Liquefeito (GNL) do projecto Mozambique LNG, segundo um concurso para manifestação de interesse lançado esta terça-feira (30).
De acordo com a Lusa, com o procedimento, a empresa procura contratar serviços de engenharia, construção, procurement e operação da futura central, que será instalada na área do megaprojecto de GNL da Área 1 da bacia do Rovuma, desenvolvido pelo consórcio Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies.
Segundo o concurso, a central será composta por “aproximadamente 13 224 módulos fotovoltaicos”, já adquiridos pela TotalEnergies, que serão instalados pela empresa a contratar, a qual ficará igualmente responsável pela operação da infra-estrutura. Os painéis serão implantados “numa área de aproximadamente 6,5 hectares”.
Em Fevereiro, o presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, afirmou que a petrolífera francesa pretende apoiar o desenvolvimento de projectos locais de produção de electricidade em África, apontando Moçambique como exemplo dessa estratégia. “Pode-se imaginar trazer gás natural liquefeito para um terminal no sul de Moçambique, construir uma central a gás e exportar electricidade para a África do Sul, usando parte da energia também para Moçambique”, declarou Patrick Pouyanné durante a apresentação dos resultados anuais da empresa.
Na mesma ocasião, o responsável defendeu que “precisamos de encontrar um bom equilíbrio entre as exportações e o desenvolvimento local”, acrescentando que a TotalEnergies deve “contribuir para o fornecimento de energia no continente”.
O consórcio Mozambique LNG retomou oficialmente, a 29 de Janeiro, a construção do projecto de produção e exportação de GNL na baía de Afungi, suspenso desde Abril de 2021, quando a TotalEnergies accionou a cláusula de “força maior” devido aos ataques terroristas em Cabo Delgado.
Quatro anos e meio depois, em Outubro de 2025, após a reconfirmação do financiamento internacional do projecto e alegando melhorias das condições de segurança na região, a TotalEnergies, líder do consórcio da Área 1 da bacia do Rovuma, levantou a cláusula de força maior e iniciou o processo de retoma das obras.
A TotalEnergies prevê agora que a primeira entrega de GNL da primeira linha de produção em Afungi ocorra no primeiro semestre de 2029. Antes da suspensão das obras, essa entrada em operação estava prevista para Julho de 2024.
Moçambique dispõe actualmente de três megaprojectos aprovados para o desenvolvimento das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo. Além do Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, integra este conjunto o projecto da ExxonMobil, com capacidade prevista de 18 milhões de toneladas por ano (mtpa) e um investimento estimado em 30 mil milhões de dólares, que continua a aguardar a decisão final de investimento, ambos localizados na península de Afungi.
A estes junta-se o projecto Coral Sul FLNG, da italiana Eni, que produz desde 2022 cerca de sete milhões de toneladas por ano a partir da plataforma flutuante Coral Sul. O projecto será expandido a partir de 2028 com a plataforma Coral Norte, num investimento de 7,2 mil milhões de dólares, estando igualmente prevista uma terceira unidade.





























































