A taxa de juro de referência para o crédito em Moçambique, conhecida como ‘prime rate’, vai manter-se nos 15,50% durante o mês de Julho, pelo terceiro mês consecutivo, anunciou esta segunda-feira (29) a Associação Moçambicana de Bancos (AMB). A decisão surge após três reduções consecutivas da taxa efectuadas ao longo deste ano.
Desde Janeiro de 2024, a ‘prime rate’ tem registado uma trajectória de descida, depois de ter permanecido durante seis meses consecutivos no máximo de 24,1%. Este ano, a AMB reduziu a taxa em dez pontos base em Janeiro, para 15,70%, manteve-a em Fevereiro, voltou a reduzi-la para 15,60% em Março e para 15,50% em Abril, tendo decidido mantê-la inalterada em Maio, Junho e, agora, em Julho.
A evolução da ‘prime rate’ está directamente ligada à taxa MIMO, a taxa directora de política monetária definida pelo Banco de Moçambique. Esta taxa influencia o cálculo da taxa de referência aplicada pelos bancos comerciais e constitui um dos principais instrumentos utilizados para controlar a inflação.
Na reunião de 25 de Maio, o Banco de Moçambique decidiu manter a taxa MIMO em 9,25%, aumentar o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional e admitiu que a inflação poderá atingir dois dígitos devido à crise dos combustíveis.
Segundo o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, “esta decisão decorre da prevalência de elevadas incertezas quanto à duração do conflito no Médio Oriente e ao seu impacto sobre a cadeia logística e a oferta de bens, assim como sobre os preços internacionais e domésticos dos combustíveis e alimentos”.
A decisão foi anunciada no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), realizada em Maputo. O órgão manteve a taxa MIMO inalterada, tal como já tinha feito em Março, após um ciclo de 12 reduções consecutivas ao longo de 24 meses. Rogério Zandamela admitiu que a continuidade desta pausa no ciclo de descidas dependerá da evolução do contexto nacional e internacional.
Além disso, o CPMO decidiu aumentar o coeficiente de reservas obrigatórias para os passivos em moeda nacional de 29% para 39% dos depósitos que os bancos comerciais devem manter no banco central, “visando absorver a liquidez excedentária no sistema bancário, susceptível de gerar maior pressão inflacionária”. Já o coeficiente para os passivos em moeda estrangeira manteve-se em 29,5%.
Rogério Zandamela anunciou igualmente que a previsão da inflação foi “revista em alta”. Recordou que a inflação anual se fixou em 4,4% em Abril, após 3,4% em Março, mas advertiu que, “no curto e médio prazo, antevê-se uma aceleração da inflação, podendo atingir dois dígitos, dependendo da duração do conflito no Médio Oriente”, devido ao aumento dos preços dos combustíveis, à intermitência no seu fornecimento e à inflação importada.
Dados divulgados anteriormente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que os preços em Moçambique aumentaram 2,32% em Maio, elevando a inflação homóloga para 7,22%, num mês marcado pela subida dos combustíveis. Apesar disso, a inflação acumulada em 2025 foi de 3,23%, abaixo da registada em 2024 e da previsão do Governo, enquanto a taxa MIMO permanece fixada em 9,25%, após sucessivos cortes iniciados em Janeiro de 2024.
Fonte: Lusa



























































