O sector privado manifestou preocupação com as irregularidades no abastecimento de combustíveis registadas no País, alertando para os impactos que a situação poderá ter na recuperação da economia, numa conjuntura marcada pelo conflito no Médio Oriente.
De acordo com a Lusa, o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, afirmou que o empresariado continua em “alta tensão” devido às dificuldades no fornecimento de combustíveis, sublinhando que a economia necessita de recuperar e que as empresas precisam de retomar o ritmo de produção.
“A economia precisa de recuperar. Os empresários têm a missão de retomar e acelerar o passo para que voltemos a produzir e melhorar os índices da nossa economia. Por sorte, continuamos a ter o mínimo para podermos circular, mas a preocupação continua porque, enquanto persistirem os conflitos, estamos sujeitos a correr esse risco”, afirmou Álvaro Massingue.
Segundo o presidente da CTA, os combustíveis não são um produto de fácil substituição, apesar dos esforços em curso para converter viaturas para o uso de gás veicular. “Estamos num momento de alta tensão enquanto não terminarem as hostilidades para que o combustível volte a ser abastecido com regularidade”, acrescentou.
As declarações surgem numa altura em que se registam irregularidades no abastecimento de combustíveis em várias regiões do País. De acordo com a Lusa, foi constatada a falta de combustível, sobretudo gasolina, em vários postos de abastecimento, situação igualmente reportada por órgãos de comunicação social noutras províncias.
Na passada sexta-feira, pelo menos cinco pessoas morreram na sequência da explosão de um recipiente contendo combustível armazenado numa residência, no distrito de Mocuba, província da Zambézia. O combustível destinava-se, alegadamente, à venda informal, perante a escassez registada naquela região.
Apesar disso, verifica-se alguma acalmia após semanas marcadas pela falta de gasolina e gasóleo, longas filas de viaturas nos postos de abastecimento e o destacamento da Unidade de Intervenção Rápida da Polícia da República de Moçambique para garantir a segurança nos locais onde havia combustível disponível.
A actual crise de abastecimento de combustíveis em Moçambique teve início no final de Abril deste ano, quando começaram a surgir constrangimentos na distribuição do produto, agravados pela escalada do conflito no Médio Oriente e pela volatilidade dos mercados internacionais de petróleo. Em Maio, o Governo aumentou os preços da gasolina e do gasóleo, justificando a medida com a evolução dos preços internacionais, ao mesmo tempo que reconheceu dificuldades na distribuição dos combustíveis entre os terminais de armazenamento e os postos de abastecimento. Desde então, várias regiões do País têm registado escassez de combustível, longas filas nos postos e impactos na actividade económica, levando o sector privado a alertar para os riscos da situação.



























































