A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) pretende captar cerca de mil serpentes para produzir soro antiofídico em Moçambique, num projecto que visa reduzir a dependência das importações e os elevados custos do tratamento de vítimas de mordeduras de cobra.
De acordo o portal Health News, a iniciativa está a ser desenvolvida pela Faculdade de Veterinária, que procura financiamento para equipar o seu serpentário, reabilitado após ter sido vandalizado durante as manifestações pós-eleitorais de 2024.
Segundo o responsável pelo serpentário, Samuel Bila, “o objectivo principal é retirar o veneno das cobras e produzir soro antiofídico para ajudar as pessoas quando são mordidas por cobras.”
Actualmente, o serpentário alberga apenas quatro serpentes de três espécies diferentes – duas víboras, uma cobra-da-floresta e uma jibóia utilizada em aulas práticas –, embora disponha de capacidade para acolher mais de 600 animais. A meta da universidade passa por aumentar esse número para cerca de mil exemplares.
As serpentes capturadas em diferentes regiões do país permanecem inicialmente cerca de 40 dias em quarentena, período durante o qual recebem tratamento e se adaptam ao novo ambiente antes de serem transferidas para o recinto definitivo, onde são mantidas sob vigilância e alimentadas com ratos criados pela própria universidade.
Samuel Bila explicou que a produção do soro ainda não começou porque o projecto se encontra na fase de captura e organização das serpentes, depois de uma primeira experiência em que alguns exemplares morreram devido à reduzida experiência no seu maneio.
Enquanto não reúne condições para fabricar o soro em Moçambique, a universidade pretende avançar para a extracção e processamento do veneno, com vista à sua exportação para a África do Sul, onde existem laboratórios capazes de produzir o soro antiofídico. Contudo, essa etapa depende ainda da formação de técnicos especializados na extracção do veneno.
O responsável reconheceu igualmente que a captura de serpentes continua a representar um elevado risco para os investigadores, uma vez que a inexistência de soro antiofídico disponível impede uma participação mais alargada dos estudantes nas actividades de campo. Além de apelar às comunidades para que não matem cobras e comuniquem a sua presença às autoridades, Samuel Bila defendeu a necessidade de reforçar o financiamento do serpentário para melhorar os equipamentos de segurança e adquirir kits de emergência.
Segundo explicou, um único frasco de soro antiofídico adquirido na África do Sul custa cerca de cinco mil rands, sendo frequentemente necessários vários frascos para salvar uma única vítima de mordedura de cobra. A universidade pretende ainda colaborar com o Ministério da Saúde na monitorização anual dos casos de mordeduras de serpentes em Moçambique, permitindo estimar as necessidades nacionais deste medicamento e apoiar a sua futura disponibilização no País.
O serpentário da UEM foi reinaugurado em Maio deste ano, após obras de reabilitação financiadas pelo Governo de Itália, através da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), no âmbito de projectos ligados à investigação científica e à conservação da biodiversidade.


























































