A Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) será reestruturada no âmbito do Plano Director da Aviação Civil (PDAC), que a coloca numa posição central, mas frágil, com o objectivo de reforçar a sua competitividade e garantir a sustentabilidade da transportadora estatal.
O PDAC 2026-45, aprovado este mês pelo Conselho de Ministros e citado Lusa, identifica a LAM como uma empresa com papel central no sistema, embora marcada por fragilidades estruturais que exigem intervenção urgente.
Segundo o diagnóstico, a companhia enfrenta uma frota envelhecida, rentabilidade insuficiente e crescente pressão concorrencial das transportadoras regionais e internacionais. “Sem estes ajustamentos, a LAM continuará vulnerável à crescente concorrência das transportadoras regionais e internacionais”, alerta o documento.
O plano integra a recuperação da LAM como um dos nove eixos estratégicos da política aeronáutica para os próximos 20 anos, prevendo a reestruturação da empresa, a renovação e expansão da frota, o reforço da governação interna, a expansão da rede de destinos e o estabelecimento de parcerias internacionais.
O diagnóstico sectorial destaca ainda a forte dependência do mercado doméstico, com mais de 80% da actividade concentrada em rotas internas, enquanto a presença internacional permanece limitada, o que reduz a geração de receitas em moeda estrangeira e limita a diversificação das fontes de rendimento.
Apesar destas fragilidades, a LAM mantém um papel dominante no transporte aéreo nacional, assegurando cerca de 60% do tráfego no Aeroporto Internacional de Maputo e na Beira, e aproximadamente 99% do movimento de passageiros em Nacala, sendo ainda o principal operador das ligações domésticas e um actor relevante nas rotas regionais.
“Sem estes ajustamentos, a LAM continuará vulnerável à crescente concorrência das transportadoras regionais e internacionais”
Plano Director da Aviação Civil
Para financiar a modernização, o PDAC propõe o mecanismo internacional “Sale and Leaseback”, que consiste na venda de aeronaves seguida do seu aluguer pela própria companhia, permitindo libertar recursos para a renovação da frota. O plano recomenda ainda a aplicação da Convenção da Cidade do Cabo e a mobilização de Parcerias Público-Privadas (PPP).
O documento destaca também fragilidades financeiras no sector, referindo que a Aeroportos de Moçambique (ADM) apresenta um património líquido negativo de cerca de 1,2 mil milhões de meticais (16,9 milhões de euros) e uma dívida superior a 24 mil milhões de meticais (322,7 milhões de euros), incluindo uma dívida da LAM à ADM de 4,9 mil milhões de meticais (66,8 milhões de euros).
O plano alerta ainda para riscos tecnológicos, ao apontar “vulnerabilidades graves” de cibersegurança na LAM e no Aeroporto Internacional de Maputo, num contexto em que os operadores nacionais ainda não dispõem de sistemas suficientemente robustos de monitorização contínua dos riscos cibernéticos.
Entre os principais constrangimentos ao desenvolvimento da aviação civil em Moçambique, o PDAC destaca os desafios da LAM e a sua “fraca competitividade”, bem como tarifas elevadas, insuficiência de infra-estruturas modernas, escassez de recursos humanos qualificados e limitações financeiras das instituições do sector.




























































