Um grupo de cientistas da Universidade do Texas, nos Estados Unidos de América, desenvolveu um casaco capaz de captar humidade do ar e transformá-la em água potável durante o movimento do utilizador. A iniciativa propõe uma alternativa aos sistemas tradicionais de captação de água atmosférica, que normalmente dependem de estruturas fixas, como painéis ou reservatórios instalados em locais específicos.
A inovação liderada pelo professor Guihua Yu foi integrada num tecido funcional que permite a recolha de humidade enquanto a pessoa se desloca, dispensando equipamentos estacionários e abrindo caminho para soluções móveis de acesso à água. O material utilizado no casaco baseia-se num hidrogel de origem vegetal combinado com cloreto de lítio, um sal com elevada capacidade de absorção de humidade. Este conjunto permite capturar vapor de água presente no ar e armazená-lo temporariamente no tecido.
Segundo os investigadores, a principal inovação do projecto está na estrutura das fibras, que foram redesenhadas para melhorar o fluxo interno da água captada. Em vez de uma camada externa selada, como nas fibras convencionais, o novo material apresenta canais internos ramificados que facilitam a circulação da humidade, aumentando a eficiência da absorção.
Nos testes laboratoriais, as fibras desenvolvidas foram capazes de absorver mais do que o seu próprio peso em água num período aproximado de 20 minutos, demonstrando uma melhoria significativa em relação a soluções anteriores.
O casaco incorpora quatro unidades de captação distribuídas na parte frontal e traseira da peça. Quando saturadas, estas unidades podem ser removidas e colocadas num sistema de extracção portátil, onde um aquecedor converte a água retida em vapor, posteriormente condensado em forma líquida e recolhido como água potável.
Nos testes realizados no exterior, nas cidades de Austin e em regiões da China com diferentes níveis de humidade, o equipamento produziu entre 400 e 900 mililitros de água potável por dia, dependendo das condições ambientais. “A água obtida cumpriu os padrões de qualidade estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde, contendo apenas vestígios residuais de lítio e sendo considerada segura para consumo”, disse Guihua Yu.
Os cientistas afirmam que a tecnologia pode vir a ser aplicada não apenas em vestuário, mas também em pastas, tendas e equipamentos de emergência, ampliando o potencial de utilização em regiões com escassez de água. Sublinham ainda que a inovação representa um avanço na utilização de materiais funcionais aplicados ao quotidiano, permitindo transformar peças de vestuário em sistemas activos de captação de recursos ambientais, com especial impacto potencial em zonas áridas e com difícil acesso a infra-estruturas hídricas.
Fonte: Zap



























































