O Banco Mundial vai disponibilizar financiamento para impulsionar o agro-negócio no Corredor da Beira, numa iniciativa anunciada durante um encontro entre o Governo, representado pelo Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, e empresários da região Centro do País. O Executivo considera que o apoio poderá contribuir para dinamizar a produção agrícola e fortalecer as cadeias de valor.
Para os representantes do sector privado, o financiamento surge numa altura em que as cadeias de valor agrícolas necessitam de maiores investimentos para aumentar a produção e reforçar a competitividade dos produtores e das empresas ligadas ao agro-negócio.
Apesar das expectativas geradas, a Agência de Desenvolvimento Económico de Manica considera que o sucesso da iniciativa dependerá da capacidade das empresas integrarem os pequenos produtores nas suas cadeias de valor, promovendo maior inclusão e sustentabilidade dos projectos.
No sector das pescas, o empresário Mamade Sulumane recebeu o anúncio com alguma reserva. Segundo explicou, experiências anteriores demonstram que nem todos os financiamentos disponibilizados pelo Banco Mundial produziram os resultados esperados.
Entre os principais constrangimentos identificados pelo empresário destacam-se a escassez de divisas para a implementação dos projectos aprovados e a inexistência de linhas de financiamento específicas para a construção de embarcações de pesca.
Em resposta às preocupações manifestadas pelo sector privado, o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, anunciou o agravamento das sanções aplicadas à comercialização de sementes falsas, prática que passará a ser enquadrada como crime de burla.
O governante revelou igualmente que, nas próximas duas semanas, será lançada uma campanha de recuperação de terras tituladas através do Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT) que permanecem improdutivas há vários anos.
De acordo com o Governo, as áreas recuperadas deverão ser disponibilizadas prioritariamente a jovens e mulheres interessados em desenvolver actividades agrícolas. O Executivo defendeu ainda que o financiamento do Banco Mundial produzirá melhores resultados se for acompanhado pela celebração de contratos de produção entre o Estado, as empresas e as cooperativas antes do arranque da campanha agrícola de 2026/27.
Em Maio, o Banco Mundial anunciou a disponibilização de cerca de 500 milhões de dólares para financiar o sector agrícola em Moçambique, no âmbito de um plano destinado a impulsionar a produção de alimentos da cesta básica e a reforçar a actividade pecuária no País.
Fonte: Jornal O País



























































