O ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, defendeu que a província de Cabo Delgado tem potencial para afirmar-se como uma plataforma agro-industrial relevante na região Norte de Moçambique, sublinhando que se deve dinamizar as cadeias de valor ligadas ao caju, algodão, soja, gergelim, feijão bóer, produção pecuária, avicultura, pesca, aquacultura, processamento alimentar, madeira, minerais e turismo.
Intervindo nesta segunda-feira, 22 de Junho, em Pemba, durante a cerimónia de abertura da Conferência Internacional sobre Industrialização e Agro-negócio (CIAGRO 2026), o governante avançou que aquela região do País possui condições para aproveitar melhor os seus portos, as suas vias de ligação, as suas áreas produtivas e a sua posição geográfica, por estar próxima de mercados nacionais, regionais e internacionais.
“Estamos perante uma província que conhece os custos da fragilidade, da instabilidade, da deslocação de populações e das assimetrias de desenvolvimento, por isso devemos trabalhar para transformar o potencial em resultados; investimentos em oportunidades locais; recursos em cadeias de valor, fazendo com que o crescimento económico melhore de forma efectiva a vida das famílias e comunidades”, afirmou.
Segundo o ministro, o desenvolvimento de Cabo Delgado não pode ser entendido apenas pela dimensão dos grandes projectos de gás, mineração ou energia. “Estes investimentos são importantes, e devem continuar a ser erguidos e consolidados, porém, o seu impacto será verdadeiramente transformador apenas se conseguirmos estabelecer ligações concretas.”
Na sua intervenção, Valá recordou que o Programa Quinquenal do Governo (2025-29) coloca a agricultura e a indústria entre os vectores fundamentais da diversificação e da transformação estrutural da economia, frisando que as metas só serão alcançadas se estiverem ancoradas em infra-estruturas resilientes, energia segura, transportes e logística eficazes, capital humano de qualidade, estabilidade macroeconómica, paz e estabilidade, conservação ambiental, na boa governação, em políticas públicas compreensivas e previsíveis, bem como na transformação digital.
“A industrialização que defendemos não está desligada da realidade local, não é importada, concentrada e incapaz de criar ligações com as empresas locais e as comunidades. O Governo está comprometido em apoiar e trabalhar com o sector privado, com as instituições financeiras, universidades, centros de formação e com os parceiros de desenvolvimento”, disse.
Neste sentido, citado no documento partilhado com o Diário Económico, Salim Valá defendeu que a CIAGRO deve ser uma verdadeira plataforma para criar parcerias, sustentando que o desenvolvimento é um jogo de responsabilidades partilhadas e que a estabilidade é uma condição indispensável para atrair investimentos, proteger comunidades, recuperar actividades económicas e garantir que o trabalho, a produção e o comércio possam florescer.
“Cabo Delgado está a reconstruir a sua capacidade económica e social. Esse processo deve ser acompanhado por investimentos que respeitem as comunidades, protejam o ambiente, valorizem os recursos locais e gerem oportunidades concretas para os jovens”, concluiu.
O evento, que decorre na cidade de Pemba com a participação de membros do Governo e parceiros internacionais, realiza-se sob o tema “Agro-negócio e Industrialização, Catalisando as Cadeias de Valor para o Desenvolvimento Económico Sustentável de Cabo Delgado.”



























































