Os lucros do Banco de Investimento Global (BiG) em Moçambique recuaram quase 35% em 2025, fixando-se em 2,7 milhões de euros (184 milhões de meticais), segundo o relatório e contas do banco. O resultado reflecte uma queda significativa no desempenho anual da instituição.
O resultado líquido caiu 34,7% em relação a 2024, ano em que o banco tinha registado lucros de 4,1 milhões de euros (282 milhões de meticais). Esta evolução confirma a tendência de abrandamento dos ganhos do banco no mercado moçambicano.
No documento, citado pela Lusa, o banco reconhece que o desempenho de 2025 foi afectado por “eventos macroeconómicos” com impacto na actividade, como a redução das taxas de juro de referência e a persistência de pressões cambiais.
Ainda assim, o BiG refere que manteve uma gestão prudente, com redução da carteira de crédito e preservação de liquidez. O banco garante que continua numa posição confortável, com aplicações no banco central e em títulos de curto prazo.
O relatório destaca também os efeitos da política monetária do Banco de Moçambique, incluindo a redução das taxas de juro de referência e a manutenção de níveis elevados dos coeficientes de reservas obrigatórias. Soma-se ainda a deterioração da capacidade de pagamento da dívida pública, bem como a descida do ‘rating’ de Moçambique, factores que tiveram impacto na actividade do banco.
O produto bancário recuou 28,3%, para 6,2 milhões de euros (424 milhões de meticais), enquanto a margem financeira caiu 27,8%, para 4,2 milhões de euros (289 milhões de meticais), devido à redução da carteira de títulos e à menor rentabilidade das aplicações no banco central.
As operações financeiras registaram uma queda de 53,3%, enquanto as comissões líquidas diminuíram 5,7%, para 1,4 milhão de euros (93 milhões de meticais). Em contrapartida, os custos operacionais baixaram 19,6%, para 2,7 milhões de euros (186 milhões de meticais), incluindo uma redução de 3,5% nas despesas com pessoal.
O activo total caiu 20,5%, para 56,8 milhões de euros (3,9 mil milhões de meticais). Já os depósitos de clientes cresceram 59,8%, passando de 11,7 milhões de euros (799 milhões de meticais) para 18,7 milhões de euros (1,3 mil milhões de meticais), o que o banco associa à continuidade de uma estratégia conservadora.
Apesar da queda dos resultados, o BiG registou crescimento na actividade de serviços a clientes, com aumento das operações de intermediação e dos activos sob custódia. O banco foi constituído em 2016 e é detido em 82,6% pelo Banco de Investimento Global, com sede em Lisboa, contando ainda com participações de seguradoras moçambicanas. O sistema financeiro moçambicano integra 15 bancos comerciais, num contexto de desafios de liquidez e financiamento.



























































