A produção de grafite em Moçambique atingiu 28 018 toneladas no primeiro trimestre de 2026, superando em 189% a meta definida para aquele período e ultrapassando largamente a previsão inicialmente estabelecida para todo o ano, segundo dados do Governo, de acordo com a Lusa.
De acordo com o relatório de execução da produção mineira referente aos primeiros três meses do ano, o desempenho foi impulsionado pela estabilidade operacional do principal produtor nacional e pela entrada em actividade de uma nova empresa mineira na província do Niassa. “O nível de produção foi influenciado pela consistência operacional do maior produtor deste mineral e pela entrada no mercado de uma nova empresa em Niassa, que contribuiu para uma realização de 189% em relação ao planificado”, refere o documento.
O resultado contrasta com as projecções oficiais para 2026, que apontavam para uma produção anual de 14 814 toneladas de grafite. A previsão tinha sido revista em baixa devido às incertezas associadas ao contexto pós-eleitoral e aos constrangimentos operacionais registados no sector mineiro.
A recuperação surge após um período particularmente desafiante para a indústria. Embora Moçambique tenha encerrado 2025 com uma produção de 67 078 toneladas, o primeiro trimestre desse ano não registou qualquer extracção devido à paralisação da mina de Balama, na província de Cabo Delgado, considerada uma das maiores reservas mundiais de grafite natural e fornecedora estratégica da indústria norte-americana de baterias para veículos eléctricos.
A suspensão das operações resultou dos protestos que se seguiram às eleições gerais de Outubro de 2024, afectando a actividade mineira durante mais de cinco meses. O desempenho actual representa uma recuperação significativa face aos últimos anos. Depois de atingir um recorde de 165,9 mil toneladas em 2022, a produção nacional recuou para 97,3 mil toneladas em 2023 e voltou a cair para 34,9 mil toneladas em 2024, em consequência da interrupção das operações em várias unidades produtivas.
O reforço da capacidade produtiva do sector ganhou novo impulso com a inauguração, em Janeiro deste ano, de uma unidade de processamento de grafite na província do Niassa. Avaliado em cerca de 200 milhões de dólares, o projecto de capitais chineses possui capacidade para produzir e processar até 200 mil toneladas por ano.
Na ocasião da inauguração, o Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu que o empreendimento representa uma oportunidade para Moçambique consolidar a sua posição nas cadeias globais de valor associadas aos minerais estratégicos, através da produção de grafite de alta pureza destinado à indústria tecnológica e de mobilidade eléctrica. A unidade industrial emprega actualmente 1090 trabalhadores e prevê ultrapassar os 2000 postos de trabalho quando atingir a capacidade máxima de operação.





























































