A startup sul-africana de Inteligência Artificial (IA) SupaChat Global desenvolveu um método capaz de ajudar empresas a automatizar o atendimento ao cliente através de agentes de IA treinados com informações específicas de cada negócio, permitindo interacções contínuas em plataformas como WhatsApp, websites, Facebook e Instagram.
Segundo o fundador e CEO, Lindile Ndube, a startup desempenha um papel diferente em relação às grandes tecnológicas, ao posicionar-se como uma camada de implementação da Inteligência Artificial em África e procurar tornar a tecnologia mais acessível e útil para empresas locais. “As grandes empresas de tecnologia constroem os modelos e as plataformas globais desenvolvem as ferramentas, mas alguém precisa de fazer com que a Inteligência Artificial funcione efectivamente para empresas que operam no terreno. É exactamente isso que nós fazemos”, afirmou Ndube.
A SupaChat disponibiliza actualmente três soluções principais. A primeira é a Thuso, uma assistente virtual multilingue que opera através do WhatsApp e da web e suporta todas as línguas oficiais da África do Sul. A segunda é a Azi, uma agente de análise de dados que reúne informações de diferentes plataformas e as transforma em insights accionáveis em tempo real. Já a terceira é a Khulu, uma gestora de redes sociais baseada em IA que ajuda marcas a automatizar conteúdos e a potenciar a economia dos criadores digitais.
De acordo com o responsável, a filosofia da empresa passa por inverter a lógica tradicional das plataformas digitais. “A maioria dos softwares obriga o empresário a adaptar-se à plataforma. Nós fazemos o contrário. A plataforma é que serve o empresário”, explicou, acrescentando que a ideia de criação da SupaChat surgiu em 2023, quando Ndube trabalhava como director de estratégia numa agência global e identificou uma lacuna na automação da análise de dados e na entrega de campanhas digitais mais eficientes e escaláveis.
“Percebi que a adopção da Inteligência Artificial estava atrasada nas empresas. Muitas estavam a ser ultrapassadas por indivíduos mais ágeis devido aos custos e às barreiras técnicas. Além disso, África não era um mercado prioritário para muitas destas soluções. Acreditámos que poderíamos adaptar tecnologias de ponta às realidades locais e criar impacto”, afirmou.
A startup integra 11 línguas locais e aposta na soberania dos dados, factores que considera importantes num mercado cada vez mais competitivo. Apesar de ser uma empresa auto-financiada, a SupaChat já conquistou contratos com grandes empresas internacionais e regionais que, segundo o fundador, foram fundamentais para impulsionar a investigação e o desenvolvimento da empresa.
“Tivemos a sorte de fechar alguns acordos importantes com empresas como a Unilever, a MTN, a Primedia e a Schneider Electric. Cada um destes clientes procurava novas formas de operar com Inteligência Artificial como uma oportunidade de inovação”, disse.
Entre os projectos desenvolvidos, destaca-se um programa de fidelização baseado em Inteligência Artificial para a Primedia, que permite aos utilizadores carregar recibos de compras efectuadas em qualquer retalhista para acumular pontos de recompensa. A startup encontra-se também em negociações avançadas com uma das plataformas de media juvenil mais reconhecidas da África do Sul para lançar um marketplace baseado em criadores de conteúdo.
A empresa opera actualmente com dois modelos de negócio: licenciamento e subscrição. Contudo, está a reforçar a aposta nos Serviços Geridos de Inteligência Artificial (Managed AI Services — MAIS), cobrados com base em subscrições e utilização. “Removemos deliberadamente as barreiras de adopção e permitimos que os clientes implementem as nossas soluções sem necessidade de programação. Acreditamos que atingiremos o ponto de equilíbrio até Setembro e alcançaremos margens de lucro de dois dígitos até ao final de 2026”, concluiu Ndube.
Fonte: Disrupt Africa



























































