Empresários afirmaram nesta terça-feira (16) que Angola é um destino turístico “emergente” que deve ser impulsionado pela cimeira internacional sobre o turismo e investimentos, que arranca quarta-feira em Luanda, alertando, contudo, para os “grandes desafios” das infra-estruturas, transportes e formação.
Luanda, capital angolana, acolhe, entre quarta e sexta-feira, o Angola Investment Summit 2026, iniciativa do Ministério do Turismo de Angola em parceria com a Global Tourism Forum Institute (GTFI), e os operadores turísticos no país enalteceram a iniciativa, acreditando na projecção do sector.
Para a empresária Isabel Apolinário, responsável da Agência Cosmos Travel Angola, a cimeira internacional sobre investimentos, turismo, inovação e desenvolvimento económico inscreve-se num conjunto de acções que têm sido desenvolvidas pelo Ministério do Turismo, considerando tratar-se de um espaço para “dar a conhecer Angola ao mundo”.
“Estamos todos muito expectantes, de facto, com este fórum, porque poderá ser algo muito interessante para o país, é mais uma acção para dar a conhecer Angola – e precisa disso – para que o destino seja conhecido e deixe de ser apenas algo que se menciona, mas sim um destino emergente a nível turístico”, afirmou hoje a empresária.
À Lusa, Isabel Apolinário defendeu que o destino Angola deve ser conhecido pelo mundo para que o país (com vários destinos naturais e culturais encantadores) seja atractivo aos investidores.
“É necessário que haja procura para que depois se invista, caso contrário será mais difícil. Estou bastante expectante e acredito que será algo benéfico para o país”, notou.
A operar em Angola desde 2011 e com uma experiência de quase 30 anos em Portugal, a directora da agência que oferece rotas, produtos e experiências turísticas em vários domínios sinalizou que o país ainda tem “enormes desafios” ligados, sobretudo, às infra-estruturas, acessos e hotéis.
Lamentou ainda a escassez de profissionais e a falta de consistência nos serviços que se oferecem aos turistas, salientando, no entanto, que o país “precisa de transformar os seus recursos naturais em produto”.
Por sua vez, o empresário Jaime Freitas, também com investimentos no sector do turismo, deu “boas-vindas” à cimeira internacional de Luanda, que surge para divulgar o nome de Angola e “tentar atrair o investimento, especialmente se não for muito caro”, afirmou.
Contudo, prosseguiu, o país deve assentar os pés no chão, olhar para a realidade e assumir “a grande falta de infra-estruturas” para poder garantir a dinamização do turismo em todo o país, particularizando o “destino turístico Namibe”.
“Se por transporte aéreo nós temos dificuldades de ir e voltar, pelo transporte terrestre a situação é ainda pior. Acho que nos falta a condição básica para haver turismo. Portanto, sem que exista transporte regular aéreo que funcione, estradas que minimamente possam permitir a ida de turistas, a situação torna-se difícil”, afirmou.
“Luanda, capital angolana, acolhe, entre quarta e sexta-feira, o Angola Investiment Summit 2026, iniciativa do Ministério do Turismo de Angola em parceria com a Global Tourism Forum Institute (GTFI), e os operadores turísticos no país enalteceram a iniciativa, acreditando na projecção do sector”
Freitas elogiou o empenho do ministro do Turismo de Angola, “que não poupa esforços para tentar conseguir realizar os seus objectivos”, mas, sublinhou, “a realidade cria dificuldades que dificilmente são ultrapassadas”.
Pela Associação dos Hotéis e Resorts de Angola (AHRA), o seu presidente, Ramiro Barreira, considerou que o fórum, que conta com “alto patrocínio” do Presidente angolano, João Lourenço, constitui um momento importante para que o turismo “ganhe espaço e consiga posicionar-se no plano internacional”.
O fórum, no entender do presidente da AHRA, vem numa altura importante “para ajudar o país a ter um reconhecimento internacional ainda muito maior”, e para que os operadores angolanos “consigam compreender um pouco a dinâmica do turismo internacional” e catapultar investimentos para o sector do turismo em Angola.
A edição 2026 deverá reunir em Luanda mais de mil participantes, entre fundos soberanos, bancos de desenvolvimento, investidores institucionais, operadores turísticos globais, grupos hoteleiros, decisores políticos e outros.
Fonte: Lusa



























































