A consultora Oxford Economics considerou, nesta segunda-feira (15), que o acordo de paz no Médio Oriente não apaga os efeitos da guerra nos países africanos nem vai fazer o continente regressar ao ritmo de crescimento anterior aos ataques na região.
“A assinatura do acordo ainda precisa de se traduzir na prática, o que significa que o acordo entre o Irão e os Estados Unidos da América (EUA) não pode traduzir-se automaticamente em alterações concretas às nossas previsões de inflação e de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) real, nem num regresso às nossas previsões anteriores à guerra”, escrevem os analistas do Departamento Africano desta consultora britânica.
Num comentário ao acordo alcançado neste domingo entre os EUA e o Irão, a Oxford Economics escreve que há três aspectos que vão influenciar o impacto nos países africanos: “O ritmo a que o tráfego através do estreito é retomado; a medida em que os danos nas infra-estruturas energéticas e portuárias irão limitar o fluxo das exportações de energia; e a evidência de que uma trégua duradoura é condição necessária para que as exportações de energia e de produtos refinados atinjam o seu pleno potencial”.
Apesar do anúncio do acordo de paz e da abertura da navegação pelo Estreito de Ormuz, a Oxford Economics alerta que o impacto não será imediato: “Mesmo que o estreito abra imediatamente e os navios o atravessem rapidamente, é provável que África enfrente um duplo atraso na obtenção tanto de petróleo bruto como de produtos petrolíferos refinados.”
Além disso, os analistas apontam também o problema de congestionamento da passagem, devido ao número de petroleiros que previsivelmente vai querer atravessar o estreito, tendo África de competir com países mais ricos pelas encomendas.
“Em conjunto com a concorrência pelas cargas disponíveis e a desvantagem de compra dos compradores africanos, as nações poderão ainda enfrentar escassez muito tempo depois de o transporte marítimo através do estreito ser retomado”, alerta a Oxford Economics.
No mesmo comentário, os analistas escrevem também que, como as épocas de plantio “coincidiram com preços elevados dos fertilizantes e dos combustíveis”, há o risco de queda da produção e do consumo das famílias, o que, aliado ao fenómeno climático El Niño previsto ainda para este ano, poderá manter a inflação elevada até 2027.
O comentário surge na semana seguinte a uma revisão em baixa do crescimento previsto para a África Subsaariana pelo Banco Mundial, especificamente devido aos impactos nos países africanos da guerra no Médio Oriente.
O Banco Mundial prevê um crescimento de 4%, abaixo dos 4,3% previstos em Janeiro, devendo a economia da África Subsaariana acelerar ligeiramente para 4,4% e 4,5% em 2027 e 2028, o que compara com os 4,1% registados no ano passado.
Fonte: Lusa


























































