Um mês após a declaração da epidemia de ébola na República Democrática do Congo (RDC), a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alerta para lacunas na vigilância, diagnóstico, rastreio de contactos e envolvimento comunitário, defendendo uma resposta proporcional ao acontecimento.
Para a coordenadora médica de emergência da MSF na RDC, Kate White, “um mês depois, a epidemia de ébola está a superar os esforços de resposta”.
“Ninguém sabe a verdadeira dimensão ou exactamente onde a doença se está a espalhar na RDC. O que sabemos é que a maioria dos centros de tratamento na província de Ituri está sobrecarregada; muitos dos nossos doentes chegam numa fase avançada da doença e a maioria nunca foi identificada ou monitorizada como contacto antes de procurar cuidados”, afirmou.
A doença está a espalhar-se pelas províncias de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul, no leste da República Democrática do Congo, com Ituri a registar quase 95% dos casos.
A resposta, liderada pelo Ministério da Saúde congolês e apoiada por vários parceiros internacionais, está a ser implementada nas zonas afectadas. Porém, a insegurança dificulta o acesso a determinadas comunidades e, mesmo em áreas mais estáveis, os esforços para detectar casos, testar doentes, identificar contactos e monitorizar a transmissão são insuficientes, prossegue a MSF, em comunicado.
As autoridades de saúde congolesas reportaram oficialmente mais de 650 casos confirmados e mais de 130 mortes, números ultrapassados no domingo, quando foram registados 72 novos casos num só dia, elevando para 782 o total de casos e para 181 o número de mortes.
No entanto, a MSF alerta que estes números provavelmente representam apenas uma parte do panorama geral.
“Os testes continuam a ser uma das maiores fragilidades da resposta, apesar das recentes melhorias na capacidade laboratorial e da chegada de centenas de kits de teste móveis ao leste da RDC, concebidos especificamente para o vírus bundibugyo”, afirma White.
Porém, “muitas comunidades, especialmente as afectadas pela insegurança contínua, ainda têm acesso limitado a estes kits, enquanto os centros de tratamento continuam a enfrentar atrasos significativos na recepção dos resultados laboratoriais”, prosseguiu.
“Sem testes mais rápidos e amplamente disponíveis, teremos dificuldades em detectar casos precocemente, o suficiente para conter o surto”, afirmou a responsável.
“Os testes continuam a ser uma das maiores fragilidades da resposta, apesar das recentes melhorias na capacidade laboratorial e da chegada de centenas de kits de teste móveis ao leste da RDC, concebidos especificamente para o vírus bundibugyo”
MSF
Nas zonas onde a epidemia se está a alastrar, milhões de pessoas já vivem com décadas de conflito activo, deslocações repetidas, lacunas crónicas na assistência médica e uma resposta humanitária limitada. Estas condições dificultam severamente os esforços de resposta e criam um ambiente no qual a doença se pode propagar mais facilmente, indica a organização.
Além do atendimento directo aos doentes, a MSF está também a enviar equipas para áreas mais remotas e inseguras, a fim de reforçar a capacidade de detecção e resposta nas zonas onde foram reportados alertas.
Cinquenta e seis pessoas recuperaram e a taxa de mortalidade actual é de 23%, anunciou o Ministério da Saúde congolês.
O vírus ébola transmite-se por contacto directo com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.
Fonte: Lusa


























































