A ministra da Justiça da África do Sul, Mmamoloko Kubayi, alertou que o aumento dos ataques a cidadãos estrangeiros está a prejudicar a imagem global do país e a alimentar uma reacção negativa contra empresas e artistas.
Numa conferência de imprensa realizada no domingo (14), Mmamoloko Kubayi apelou aos sul-africanos para que rejeitem o vigilantismo e deixem que o Governo trate da imigração ilegal através dos canais adequados.
A África do Sul tem assistido, nas últimas semanas, a uma onda de protestos e ataques contra outros cidadãos africanos, alguns dos quais se encontram no país legalmente, à medida que grupos anti-imigração os culpam pelo elevado desemprego e pela criminalidade.
“A maioria dos artistas sul-africanos actua no continente, e muitos deles estão a ver os seus espectáculos a serem cancelados”, disse Kubayi, sem citar nomes específicos.
A responsável afirmou também que o Governo está a apoiar as empresas sul-africanas no estrangeiro que foram afectadas pela reacção negativa.
“Acreditamos que isto pode não só prejudicar a imagem do país, mas também a nossa coesão social”, disse, observando que até mesmo alguns cidadãos sul-africanos foram alvo de grupos anti-imigração devido à sua aparência ou forma de falar.
O sentimento xenófobo é uma questão recorrente na África do Sul e tem sido amplificado por políticos que procuram apoio antes das eleições locais de Novembro.
Vários países, incluindo o Gana, o Maláui e Moçambique, repatriaram cidadãos devido a preocupações de segurança. O Maláui anunciou na segunda-feira (8) que iria trazer mais centenas de cidadãos de regresso a casa de autocarro, a partir da cidade de Durban.

“É profundamente comovente testemunhar mais uma onda de violência xenófoba na África do Sul”, escreveu o director-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Ghebreyesus, no X, chamando-a de uma “trágica traição” às nações africanas que apoiaram a África do Sul durante a luta contra o apartheid. O governante observou que cinco etíopes e cinco moçambicanos foram mortos nos ataques.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da África do Sul contestou essa versão, afirmando que as mortes dos etíopes se deveram ao crime organizado e não à violência xenófoba. As mortes dos moçambicanos estão a ser investigadas, frisou.
“Lamentamos profundamente a trágica perda de vidas nestes incidentes recentes, pois uma vida perdida é simplesmente uma a mais”, declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Chrispin Phiri.
Fonte: Reuters


























































