O ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, anunciou nesta sexta-feira (12) a abertura da ferrovia para a entrada de novos operadores privados, visando melhorar a produtividade e travar a constante ineficiência registada em monopólio da empresa pública Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM).
“A nossa abordagem em relação a logística é clara: não se faz com monopólio. Nós auscultámos e vamos abrir o acesso à linha férrea para diferentes intervenientes”, declarou João Matlombe, durante um encontro com a Confederação das Associações Económicas (CTA), maior agremiação de empresários, em Maputo, informou a Lusa.
Segundo o governante, a empresa pública CFM, que gere a ferrovia, passará a ser uma das empresas a operar, mas não a única, numa “reforma estruturante” que vai também impulsionar, acelerar e permitir o maior uso da infra-estrutura em detrimento do sistema rodoviário.
João Matlombe avançou que se está a trabalhar para que a empresa pública se dedique apenas à gestão da infra-estrutura e “deixe que o sector privado entre nas operações” para melhorar a produtividade, criar mais opções de discussão de preços e várias opções de importação e exportação de mercadorias.
“É preciso decidirmos agora para que as coisas de facto mudem, e a experiência disso é a África do Sul, que já está muito mais avançada no processo, sendo que nós continuamos relativamente atrasados”, referiu.
Por sua vez, o presidente da CTA, Álvaro Massingue, sugeriu a elaboração de uma Estratégia Nacional de Competitividade Logística para fazer face aos altos custos logísticos no País, uma das “maiores preocupações dos empresários”.
“O sector privado entende que a ferrovia deve assumir um papel mais central no transporte de carga de longo curso, reduzindo custos logísticos, descongestionando estradas e aumentando a competitividade dos corredores”, referiu o responsável.
Os empresários pediram melhorias na fiabilidade operacional, uma revisão de tarifas e o reforço da capacidade logística ferroviária, acrescentando que muitos exportadores continuam a optar pelo transporte rodoviário devido à falta de previsibilidade dos serviços, limitações de material circulante, tempo de trânsito elevado e “tarifas que nem sempre reflectem ganhos e eficiência”.
“O verdadeiro desafio é manter e transformar os sistemas rodoviário, ferroviário, marítimo e aéreo numa rede integrada, eficiente, digitalizada e competitiva. Se conseguirmos reduzir custos, simplificar procedimentos, melhorar a conectividade, aumentar a previsibilidade dos serviços e fortalecer a integração multimodal, Moçambique poderá consolidar-se como o principal hub logístico da África Austral”, concluiu Massingue.
“A nossa abordagem em relação a logística é clara: não se faz com monopólio”
João Matlombe
O movimento na rede ferroviária nacional praticamente duplicou no primeiro trimestre do ano, para 151 400 passageiros, recuperando dos efeitos das manifestações pós-eleitorais em 2025 e apesar dos efeitos das cheias, indica um relatório governamental.
Já no transporte ferroviário de mercadorias, foram movimentadas nesse período de três meses 3,6 milhões de toneladas de carga diversa, um aumento de 14,9% face a 2025, 20% da meta para todo o ano.
Em Fevereiro, o Governo aprovou a criação de um gabinete que vai buscar investimentos para a construção e operacionalização de uma linha férrea a ligar o sul e norte do País, com o Executivo a prever o seu funcionamento em oito anos.



























































