A semana económica em Moçambique foi marcada por informações de elevado interesse para a melhoria do ambiente de negócios. Na componente positiva, a União Europeia (UE) reafirmou em Maputo o seu compromisso de continuar a apoiar Moçambique nos domínios da segurança, desenvolvimento económico, reforço institucional e promoção do investimento privado, considerando que estes pilares são fundamentais para garantir crescimento sustentável e estabilidade duradoura no País.
A posição foi defendida pelo ministro Adjunto e da Reforma do Estado de Portugal, Gonçalo Saraiva Matias, que interveio em representação da União Europeia na sessão de abertura do 2.º Fórum de Negócios Moçambique-União Europeia (Global Gateway), evento que decorreu entre 9 e 10 de Junho em Maputo.
Na sua intervenção, o governante destacou que a parceria entre a União Europeia e Moçambique evoluiu significativamente ao longo dos últimos anos, ultrapassando a tradicional cooperação para o desenvolvimento e assumindo uma dimensão estratégica baseada no investimento, na criação de oportunidades económicas e no reforço da estabilidade.
Segundo Gonçalo Saraiva Matias, a actual conjuntura internacional, marcada por tensões geopolíticas, desafios económicos, alterações climáticas e transformação digital, exige relações de cooperação assentes na confiança, na responsabilidade partilhada e em objectivos comuns de desenvolvimento.
De acordo com o governante, estes investimentos procuram estimular o crescimento económico, promover a integração regional, criar emprego e reforçar a resiliência das economias africanas perante choques externos, acrescentando que o investimento directo português em Moçambique ultrapassa os 2,4 mil milhões de dólares, enquanto as exportações portuguesas para o mercado moçambicano se aproximam dos 580 milhões de dólares por ano.
Reservas internacionais verificam redução
Dados divulgados esta semana revelaram que as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) moçambicanas voltaram a recuar 1% em Abril, situando-se nos 3,47 mil milhões de dólares, após a decisão do Governo de efectuar uma “amortização integral e antecipada” de 701,4 milhões de dólares junto do Fundo Monetário Internacional (FMI), liquidando financiamentos contraídos no âmbito do Fundo para a Redução da Pobreza e o Crescimento (PRGT).

“Pagámos o serviço da dívida com o FMI recorrendo às reservas internacionais líquidas do País. São posições financeiras que Moçambique detém, pelo que não houve necessidade de alteração orçamental para esta finalidade”, afirmou a governante.
“O sector privado reconhece e valoriza o cumprimento das obrigações financeiras junto do Fundo Monetário Internacional, por constituir um sinal relevante de responsabilidade macroeconómica e de reforço da credibilidade internacional do País”, avançou a entidade em comunicado.
Mozal pagou mais de 20 M€ em impostos antes do encerramento em Março
A fundição de alumínio Mozal, localizada na província de Maputo, pagou, em 2025, um total de 20,5 milhões de euros em impostos ao Estado moçambicano, quase 0,5% de todas as receitas públicas. De acordo com dados da Conta Geral do Estado (CGE), citados pela Lusa, o Estado arrecadou no ano passado praticamente 4,9 mil milhões de euros em receitas correntes e de capital.
“Em termos específicos, o pagamento da Mozal, em Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRPS), foi de 8,4 milhões de euros, e da taxa liberatória situou-se nos 12,1 milhões de euros, representando perto de 0,5% das receitas”, esclareceu.
A maior fundição de alumínio de Moçambique suspendeu a actividade a 15 de Março, entrando em regime de manutenção e conservação após não ter sido possível chegar a acordo para o fornecimento de energia eléctrica a preços competitivos. A decisão, anunciada pela accionista maioritária South32, marcou o fim de 25 anos de operação contínua de um dos principais megaprojectos industriais do País.
A paralisação implicou custos estimados em cerca de 60 milhões de dólares, incluindo despesas com rescisões contratuais, enquanto a manutenção da unidade deverá custar aproximadamente 5 milhões de dólares por ano. A empresa justificou a decisão com a impossibilidade de garantir energia suficiente e a preços sustentáveis, após vários anos de negociações com o Governo moçambicano, com a Eskom e com outros intervenientes do sector energético.
Texto: Cleusia Chirindza



























































