O Governo assegurou estar a avançar com um conjunto de reformas para transformar o potencial turístico do País em crescimento económico, atracção de investimento e geração de emprego.
A garantia foi dada nesta quarta-feira (10) pelo secretário de Estado do Turismo, Fredson Bacar, durante o painel “Turismo sustentável: do potencial à realidade” do Mozambique-EU Business Forum 2026, numa altura em que o Executivo reconhece que os resultados do sector ainda estão longe do potencial existente.
“O potencial que Moçambique tem não combina com os números de receitas que estamos a registar”, reconheceu o governante, admitindo que o País continua abaixo das expectativas em termos de aproveitamento económico do turismo, apesar dos recursos naturais, culturais e costeiros.
Para inverter este cenário, Bacar destacou a criação da Agência Nacional para o Desenvolvimento e Investimento Turístico (Anditur), uma nova entidade que terá a missão de identificar, mapear e estruturar oportunidades de investimento no sector, além de propor reformas administrativas e legislativas consideradas necessárias para dinamizar a indústria turística.
Uma das principais apostas do Governo passa pela chamada “polarização do turismo”, um modelo que abandona a estratégia de desenvolver simultaneamente vários destinos e concentra os investimentos em pólos específicos. Neste contexto, a província de Inhambane foi escolhida como prioridade, com enfoque no corredor turístico Vilankulo-Inhassoro-Massinga, onde será criada a primeira zona especial de turismo de golfe do País.
O secretário de Estado apontou igualmente a melhoria da conectividade aérea como um dos pilares centrais das reformas. Segundo Bacar, o Executivo já começou a flexibilizar regras para facilitar a entrada de operadores e aumentar a concorrência no mercado da aviação, medida que, segundo disse, já começa a reflectir-se na redução dos preços das passagens aéreas.
“Uma viagem para a Beira podia custar cerca de 25 mil meticais e hoje já pode rondar os 16 mil”, exemplificou, acrescentando que novas companhias aéreas deverão iniciar operações em breve. Entre elas, mencionou a entrada da Aegean Airlines em rotas domésticas e o início de voos directos da Ethiopian Airlines para Nacala, medida que poderá impulsionar o turismo no norte do País.
Na componente migratória, o governante disse que o País está igualmente a trabalhar para simplificar a entrada de turistas e investidores, através do sistema digital de vistos operado pela plataforma VFS Global e da implementação de mecanismos fast-track para acelerar processos de autorização.
As reformas incluem ainda alterações à legislação laboral e o reforço do diálogo entre os sectores público e privado. De acordo com Bacar, o Governo pretende rever os actuais mecanismos de concertação e criar um modelo mais funcional e reduzido de facilitação do turismo, envolvendo apenas as instituições consideradas estratégicas para a tomada de decisões.
Parte desta estratégia inclui também a criação de forças-tarefa dedicadas ao sector turístico, integrando áreas como transportes, migração, segurança, comunicações, saúde e infra-estruturas, numa tentativa de responder ao carácter transversal do turismo. “O turismo não se faz sozinho. Precisa de água, de energia, de estradas, de hospitais, de segurança e de boa coordenação institucional”, sublinhou.
As declarações de Fredson Bacar surgem numa altura em que a Federação Moçambicana de Hotelaria e Turismo (FEMOTUR), pela voz do seu presidente, Vasco Manhiça, tem vindo a defender maior competitividade do destino Moçambique, alertando que o País continua a perder turistas antes mesmo da chegada, devido ao custo de acesso, às dificuldades logísticas e às barreiras administrativas.
Texto: Germano Ndlovo



























































