O Banco da Reserva da África do Sul (SARB) afirmou, esta quarta-feira (10), que o sistema financeiro do país deverá manter-se resiliente, apesar do agravamento das condições financeiras e do endurecimento da política monetária decorrentes da guerra no Irão.
A maior economia africana começou a ganhar dinamismo no ano passado e o sentimento dos investidores melhorou perante sinais de disciplina orçamental. No entanto, o conflito no Irão deteriorou as perspectivas de curto prazo, ao repercutir-se nos mercados petrolíferos, nos fluxos de capitais e nas finanças das famílias, segundo informou a Reuters.
“O choque provocado pela subida dos preços do petróleo deverá continuar a exercer pressão inflacionista, podendo levar a uma política monetária mais restritiva do que a prevista antes do conflito”, refere o SARB na sua Revisão da Estabilidade Financeira, relatório semestral que avalia a saúde do sistema financeiro.
O modelo trimestral de projecção do banco aponta agora para uma nova subida das taxas de juro em 2026, depois do aumento de 25 pontos-base decidido na reunião de política monetária de 28 de Maio. Segundo o relatório, é pouco provável que as famílias mais sensíveis às taxas de juro venham a beneficiar do alívio esperado para o início do ano.
O banco central assinala ainda que, para além do impacto imediato do conflito no Médio Oriente, os avanços da Inteligência Artificial (IA) de fronteira, nomeadamente o modelo Claude Mythos Preview, da Anthropic, também representam riscos para a estabilidade financeira.
“O risco cibernético deixou de se traduzir em acontecimentos esporádicos e, em grande medida, controláveis, passando a constituir uma ameaça contínua e cumulativa”, acrescenta o documento.
Entre outros riscos identificados figuram as saídas de capitais num contexto de maior incerteza nos mercados, a deterioração das finanças públicas e o agravamento das dificuldades financeiras das famílias.
“Apesar destes riscos, o sistema financeiro sul-africano permanece, no seu conjunto, resiliente”, conclui o banco central.
As reservas cambiais da África do Sul ultrapassam actualmente 16% do Produto Interno Bruto (PIB), o nível mais elevado desde o início da década de 1960, cumprindo igualmente todos os principais indicadores internacionais de adequação de reservas.


























































