O Governo sul-africano comprometeu-se a investir 72 milhões de dólares na implementação do Lenacapavir, um medicamento inovador para a prevenção do VIH, numa tentativa ambiciosa de reduzir o número de novas infecções e combater a maior epidemia do vírus do mundo.
O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, anunciou recentemente, na sua conta na rede social X, o lançamento desta iniciativa de grande escala, destinada a disponibilizar o Lenacapavir, um fármaco injectável de longa duração considerado revolucionário na prevenção do VIH.
Classificando o financiamento como um “investimento catalisador”, Ramaphosa afirmou que a parceria reflecte um princípio que a África do Sul tem defendido de forma consistente: os medicamentos que salvam vidas nunca devem ser um privilégio reservado a alguns, mas sim estar acessíveis a todos os que deles necessitam.
Para compreender a importância desta iniciativa, importa explicar o modo de funcionamento do medicamento. O Lenacapavir é o primeiro fármaco da sua classe, actuando como um inibidor da cápside viral, ou seja, bloqueia o revestimento exterior do vírus, impedindo a sua multiplicação e a invasão das células humanas.
Como o medicamento é libertado lentamente no organismo, basta ser administrado através de uma injecção duas vezes por ano. Em ensaios clínicos internacionais de grande dimensão, incluindo estudos realizados na África do Sul e no Uganda, demonstrou uma eficácia próxima dos 100%.
Ao substituir a necessidade de tomar diariamente um comprimido preventivo por uma simples injecção semestral, o tratamento reduz significativamente o problema frequente das doses esquecidas.
Financiamento e distribuição na primeira fase
O anúncio representa um ponto de viragem para a saúde pública sul-africana, uma vez que o país concentra o maior número de pessoas que vivem com VIH no mundo.
A implementação do programa, orçada em 72 milhões de dólares, será financiada pelo Governo sul-africano e por parceiros internacionais, entre os quais o Fundo Global e a Children’s Investment Fund Foundation (CIFF).
A primeira fase deverá arrancar em 360 unidades públicas de saúde distribuídas por 24 distritos com elevada incidência da doença. O objectivo do Governo é alcançar cerca de um milhão de pessoas até ao final de 2027, dando prioridade a grupos de maior risco, como raparigas adolescentes, mulheres jovens e mulheres grávidas.
Custos elevados e aposta na produção local
Apesar de a iniciativa ter sido saudada por especialistas em saúde como um marco histórico, a sua implementação enfrenta desafios logísticos e económicos.
Como a versão original do medicamento, produzida pela farmacêutica norte-americana Gilead, tem um custo muito elevado, a estratégia de longo prazo da África do Sul depende fortemente de um acordo de licenciamento voluntário.
Espera-se que esse acordo permita a entrada no mercado nacional de versões genéricas mais acessíveis até 2027, em linha com um esforço continental para que 60% dos produtos médicos utilizados em África sejam fabricados localmente até 2040.
Fonte: Africa Business Insider

























































