O Governo quer posicionar Moçambique como um hub regional de transformação digital, conectividade e processamento de dados, replicando no sector tecnológico o papel estratégico que já desempenha nos transportes e logística na África Austral. A ambição foi apresentada nesta quarta-feira, 10 de Junho, pelo ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, durante o Mozambique-EU Business Fórum 2026, em Maputo.
Segundo o governante, a localização geográfica privilegiada do País, que já facilita o acesso ao mar para vários países da região através dos portos e corredores logísticos, também cria condições para Moçambique liderar o sector digital. “Da mesma maneira como as estradas, os portos e as linhas férreas transportam produtos físicos, também existem fibras ópticas e infra-estruturas de comunicações para transportar produtos digitais”, afirmou.
Falando durante o painel “Abrindo Caminho para o Investimento em Infra-Estruturas e Serviços Digitais”, Muchanga explicou que Moçambique já dispõe de ligações por fibra óptica que conectam países como a África do Sul, o Essuatíni, a Zâmbia, o Zimbabué e o Maláui às principais infra-estruturas de telecomunicações instaladas no território nacional, reforçando o potencial do País como porta de entrada digital da região.
O ministro destacou ainda que Moçambique reúne vantagens naturais para acolher centros de dados voltados para a Inteligência Artificial (IA), um sector que exige elevado consumo energético e sistemas eficientes de arrefecimento. “Moçambique é o hub energético da região. A maior parte dos países vizinhos recebe energia produzida no nosso País”, disse.
Além da energia, Muchanga apontou a disponibilidade de água como outra vantagem competitiva, lembrando que rios e outros recursos hídricos existentes no País podem apoiar o arrefecimento de centros de dados de grande escala.
“Tudo isso coloca Moçambique em condições favoráveis para se transformar num hub digital ao nível da região”, afirmou o governante, acrescentando que o Executivo está a trabalhar com empresas moçambicanas e europeias para atrair investimentos capazes de materializar esta visão.
O responsável sublinhou que o Governo está igualmente a implementar reformas legislativas, fiscais e regulatórias para tornar o ambiente de negócios mais atractivo ao investimento privado, defendendo parcerias entre empresas estrangeiras e nacionais como forma de fortalecer o sector empresarial moçambicano.
“Já alcançámos a independência política, mas precisamos de alcançar a independência económica. E isso faz-se criando empresas, empregos e riqueza para os jovens”, defendeu Muchanga.
Raxio vê Moçambique como futuro centro de dados regional
Também presente no fórum, o director-geral da Raxio Data Centre Mozambique, Emídio Amadebai, considerou que o País já está a posicionar-se como uma plataforma regional de conectividade, processamento local de informação e armazenamento de dados.
Segundo o responsável, a chegada de novos cabos submarinos e o crescimento da digitalização do Estado, da banca e de sectores críticos deverão aumentar significativamente a produção e circulação de dados no País, tornando essencial a existência de infra-estruturas locais de processamento.
“A Raxio entra neste processo como infra-estrutura fundamental para a agregação e processamento desta matéria-prima, que são os dados produzidos em Moçambique”, afirmou, acrescentando que o centro de dados da empresa utiliza padrões tecnológicos comparáveis aos adoptados na Europa e nos Estados Unidos.
Amadebai destacou ainda as recentes regulações aprovadas pelo Governo para centros de dados, serviços de cloud e localização obrigatória de dados em território nacional, defendendo que essas medidas podem reforçar a segurança digital, aumentar a confiança dos cidadãos e consolidar Moçambique como um ponto regional de concentração de dados.
Texto: Germano Ndlovo



























































