Especialistas nacionais e internacionais defenderam, nesta segunda-feira (8), que o gás natural, aliado às energias renováveis e as melhores infra-estruturas, poderia desempenhar um papel decisivo na transformação económica de Moçambique, embora tenham alertado para a necessidade de uma maior previsibilidade regulatória para atrair investimento privado.
O tema foi o principal assunto do segundo painel da Conferência Empresarial Moçambique-Itália 2026, que se centrou nas infra-estruturas do sector energético e reuniu representantes do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), da associação industrial italiana ANIE e da Eni Rovuma Basin.
O representante do Banco Africano de Desenvolvimento, Rómulo Cunha Corrêa, revelou que mais de metade da carteira actual da instituição em Moçambique se concentra no sector energético. Dos 1,6 mil milhões de dólares investidos no País, cerca de 56% destinam-se ao sector energético, incluindo projectos de hidrocarbonetos, energias renováveis, linhas de transmissão e gás natural.
“O gás é um factor de mudança para Moçambique”, afirmou Corrêa, argumentando que este recurso poderia aumentar as receitas do Estado, impulsionar a industrialização e garantir um abastecimento energético estável para o crescimento económico. “Não pode haver industrialização sem electricidade, e Moçambique precisa de um abastecimento energético fiável que não seja intermitente”, acrescentou.
A administradora-delegada da Eni Rovuma Basin, Marica Calabrese, destacou o potencial do gás moçambicano, revelando que o projecto Coral Norte, actualmente em desenvolvimento, será uma versão melhorada do Coral Sul, incorporando as lições aprendidas com a primeira plataforma flutuante de gás natural liquefeito.
“Quando fazemos algo de bom, apetece-nos fazer outra coisa. O Coral Norte surgiu como uma versão melhorada”, afirmou Calabrese, avançando que, com estes novos projectos, Moçambique poderá tornar-se o terceiro maior produtor de gás de África. “Isto não é um sonho; é uma realidade que já se está a concretizar”, sublinhou.
Para além do petróleo e do gás, a responsável destacou os investimentos da Eni na transição energética, incluindo fogões de baixo consumo, reflorestação e agricultura sustentável. Conforme explicou, os projectos de fogões de baixo consumo já criaram cerca de 150 postos de trabalho e ajudam as famílias a reduzir o consumo de carvão e lenha até 75%.
Por sua vez, Manrico Fornasiero, representante da associação industrial italiana ANIE, afirmou que as empresas italianas estão dispostas a apoiar o desenvolvimento de Moçambique, nomeadamente nas áreas das energias renováveis, das redes eléctricas e das tecnologias industriais. No entanto, apelou às autoridades para que garantam maior previsibilidade na regulamentação do investimento.
“Os líderes empresariais precisam de conhecer as regras do jogo. Se as regras mudarem, o mesmo acontece com o apetite pelo investimento”, advertiu Fornasiero, apelando a uma maior clareza regulamentar e a uma maior preparação técnica dos projectos para facilitar o financiamento internacional.
Texto: Germano Ndlovo



























































