A mineradora australiana Syrah Resources, que opera a mina de Balama, a maior de grafite de Moçambique, continua a reforçar a ligação do País ao mercado norte-americano de materiais para baterias, numa altura em que o sector enfrenta novos desafios regulatórios e económicos.
O projecto de Balama sustenta uma cadeia de fornecimento de grafite entre Moçambique e os Estados Unidos da América (EUA), beneficiando de apoio financeiro de Washington. A empresa tem vindo a canalizar uma parcela crescente da sua produção para a fábrica de ânodos para baterias que possui em Vidalia, no Estado da Louisiana.
Esta tendência poderá ganhar novo impulso com o projecto Montepuez, da Total Graphite. A empresa pretende replicar o modelo da Syrah Resources através da criação de uma cadeia de valor integrada, ligando a futura mina moçambicana a uma unidade de produção de grafite esférico purificado (PSG) para ânodos de baterias nos EUA.
Para concretizar este objectivo, a Total Graphite está a actualizar o estudo de viabilidade do projecto, procurando optimizar os seus parâmetros e adequar a produção às necessidades da futura unidade de processamento. A empresa estima que Montepuez poderá produzir até 100 mil toneladas métricas de grafite por ano.
O crescente interesse pelo mercado norte-americano reflecte a rápida expansão da indústria de materiais para baterias. Embora Balama já abasteça este mercado há vários anos, o projecto Montepuez surge como mais um passo na consolidação desta tendência, impulsionada pela procura ligada aos veículos eléctricos e ao armazenamento de energia.
Segundo o director-executivo da Total Graphite, Arun Somani, “considerando o forte crescimento contínuo da procura por materiais de ânodo, impulsionado pelo armazenamento de energia e pela transição energética, a combinação da mina de grafite de Montepuez, em Moçambique, totalmente licenciada e em fase avançada de desenvolvimento, com uma potencial instalação de ânodos de PSG nos EUA representa uma estratégia atractiva para a Total Graphite.” O responsável acrescentou que “essa estratégia visa desenvolver um negócio totalmente integrado verticalmente em toda a cadeia de valor da grafite.”
Contudo, a implementação desta estratégia tornou-se mais incerta após a introdução de novas medidas regulatórias em Moçambique. Por decreto presidencial anunciado recentemente, o Governo proibiu a exportação de produtos minerais brutos e semi-processados, salvo quando as empresas obtenham autorização acompanhada de um plano de refinação local.
O decreto não esclarece se operações já existentes, como a de Balama, estão abrangidas pelas novas regras. Ainda assim, uma eventual aplicação da medida poderá afectar projectos em construção ou planeamento, incluindo Montepuez. Ao mesmo tempo, a Total Graphite avalia opções de financiamento e reve o seu portefólio de activos, incluindo a mina de grafite Vatomina, em Madagáscar. Tudo isto ocorre num mercado ainda pressionado pelo excesso de oferta da China, factor que continua a afectar os preços e a viabilidade económica dos projectos.
Fonte: Ecofin Agency



























































