A União Europeia reafirmou esta terça-feira (9), em Maputo, o seu compromisso de continuar a apoiar Moçambique nos domínios da segurança, desenvolvimento económico, reforço institucional e promoção do investimento privado, considerando que estes pilares são fundamentais para garantir crescimento sustentável e estabilidade duradoura no País.
A posição foi defendida pelo ministro Adjunto e da Reforma do Estado de Portugal, Gonçalo Saraiva Matias, que interveio em representação da União Europeia na sessão de abertura do 2.º Fórum de Negócios Moçambique-União Europeia (Global Gateway), evento que decorre entre 9 e 10 de Junho em Maputo.
Na sua intervenção, o governante destacou que a parceria entre a União Europeia e Moçambique evoluiu significativamente ao longo dos últimos anos, ultrapassando a tradicional cooperação para o desenvolvimento e assumindo uma dimensão estratégica baseada no investimento, na criação de oportunidades económicas e no reforço da estabilidade.
Segundo Gonçalo Saraiva Matias, a actual conjuntura internacional, marcada por tensões geopolíticas, desafios económicos, alterações climáticas e transformação digital, exige relações de cooperação assentes na confiança, na responsabilidade partilhada e em objectivos comuns de desenvolvimento.
“O Global Gateway representa mais do que uma estratégia de investimento. Representa uma visão para o futuro baseada na conectividade, na sustentabilidade e na prosperidade partilhada”, afirmou.
O responsável sublinhou que a iniciativa Global Gateway constitui um dos principais instrumentos da União Europeia para mobilizar investimentos em sectores considerados estratégicos, incluindo energia, transportes, conectividade digital, agro-negócio, educação e infra-estruturas.
De acordo com o governante, estes investimentos procuram estimular o crescimento económico, promover a integração regional, criar emprego e reforçar a resiliência das economias africanas perante choques externos.
Durante o discurso, Gonçalo Saraiva Matias destacou igualmente a importância do sector privado para o processo de transformação económica de Moçambique, defendendo que o empreendedorismo, a inovação e o investimento constituem elementos essenciais para impulsionar o crescimento e gerar oportunidades para a população.
“Um sector privado dinâmico e competitivo é indispensável para a transformação económica de Moçambique. O empreendedorismo, a inovação e o investimento constituem motores essenciais da prosperidade e da criação de emprego”, afirmou.
O representante da União Europeia dedicou ainda parte significativa da sua intervenção à situação nas províncias do Norte do País, defendendo que a paz e a segurança continuam a ser condições indispensáveis para o desenvolvimento económico e social.
Segundo referiu, a União Europeia mantém o seu apoio aos esforços de Moçambique para restaurar a segurança, reconstruir comunidades afectadas pela violência e criar perspectivas económicas para as populações, sobretudo para os jovens.
A abordagem adoptada pelos parceiros europeus, explicou, combina assistência humanitária, apoio à recuperação económica, reforço institucional e cooperação na área da segurança, procurando responder simultaneamente às necessidades imediatas e aos desafios de longo prazo.
Nesse âmbito, destacou o apoio às populações deslocadas, a promoção da formação profissional, o fortalecimento das capacidades locais e o incentivo a actividades económicas capazes de gerar rendimento e contribuir para a coesão social.
O governante defendeu igualmente a necessidade de prosseguir reformas destinadas a reforçar a transparência, melhorar a gestão das finanças públicas, fortalecer as instituições do Estado e criar um ambiente mais favorável ao investimento privado.
Segundo afirmou, o desenvolvimento sustentável depende não apenas de investimentos em infra-estruturas e sectores produtivos, mas também da existência de instituições fortes, boa governação e mecanismos eficazes de prestação de contas.
Na componente bilateral, Gonçalo Saraiva Matias destacou o papel de Portugal como um dos principais parceiros económicos de Moçambique, referindo que mais de 400 empresas portuguesas operam actualmente no mercado moçambicano em sectores como banca, telecomunicações, indústria farmacêutica, energia e infra-estruturas, contribuindo para a criação de emprego e para o desenvolvimento do tecido empresarial nacional.
O governante acrescentou que o investimento directo português em Moçambique ultrapassa os 2,4 mil milhões de dólares, enquanto as exportações portuguesas para o mercado moçambicano se aproximam dos 580 milhões de dólares por ano.
Recordou ainda que a última Cimeira Portugal-Moçambique, realizada em Dezembro do ano passado, permitiu a criação de uma linha de financiamento de cerca de 568 milhões de dólares, destinada a apoiar projectos de investimento e reforçar a cooperação económica entre os dois países.
Para Gonçalo Saraiva Matias, sectores como energias renováveis, agro-indústria, economia do mar, saúde, infra-estruturas e serviços digitais oferecem oportunidades significativas para aprofundar a cooperação económica e atrair novos investimentos.
“O futuro da parceria entre a União Europeia e Moçambique não se resume a infra-estruturas ou financiamento. Trata-se de criar oportunidades para as pessoas, apoiar o crescimento das empresas e contribuir para um desenvolvimento inclusivo e sustentável”, concluiu.
O 2.º Fórum de Negócios Moçambique-União Europeia reúne representantes do Governo moçambicano, instituições da União Europeia, empresários, investidores, bancos de desenvolvimento, agências de cooperação, associações empresariais e parceiros internacionais para debater oportunidades de investimento, financiamento e desenvolvimento económico no âmbito da iniciativa Global Gateway.
Texto: Felisberto Ruco



























































