A fragilidade dos Estados deve ser analisada para além das questões de segurança e dos conflitos armados, defendendo-se uma abordagem que integre factores económicos, sociais, institucionais e climáticos. A posição foi manifestada pelo ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, à margem do Fórum sobre Fragilidade 2026 do Grupo Banco Mundial, que decorre entre 8 e 9 de Junho, em Washington, Estados Unidos.
De acordo com o portal O Económico, segundo o governante, os desafios enfrentados pelos países classificados como frágeis não resultam apenas da violência ou da instabilidade política, mas também da combinação de factores como pobreza, exclusão económica, vulnerabilidade climática, pressões demográficas e limitações institucionais.
“Esta abordagem encontra particular relevância para África, onde muitos dos desafios contemporâneos resultam da intersecção entre pobreza, exclusão económica, pressões demográficas, fragilidade institucional e exposição crescente aos efeitos das alterações climáticas”, afirmou Salim Valá à margem do encontro.
O tema esteve no centro das discussões do Fórum sobre Fragilidade 2026, promovido pelo Banco Mundial sob o lema “Acção Transformadora para os Lugares Mais Complexos do Mundo”. O encontro reúne representantes de governos, instituições multilaterais, académicos, organizações da sociedade civil e especialistas em desenvolvimento para debater soluções destinadas a países afectados por conflitos, violência e vulnerabilidades estruturais.
De acordo com o ministro da Planificação e Desenvolvimento, a compreensão da fragilidade como fenómeno multidimensional tem vindo a ganhar espaço entre os parceiros internacionais de desenvolvimento, reflectindo uma evolução na forma como são desenhadas as estratégias de intervenção nos países mais vulneráveis.
“Além do tripé importante assente na fragilidade, conflitos e violência, é fundamental ter presente a vulnerabilidade dos países a choques internos e externos, incluindo crises económicas, climáticas, epidemiológicas e situações persistentes de conflitualidade”, referiu.
Nos últimos anos, organizações multilaterais como o Banco Mundial, o Banco Africano de Desenvolvimento e diversas agências das Nações Unidas têm defendido abordagens que procuram actuar sobre as causas estruturais da instabilidade, através do fortalecimento das instituições públicas, da expansão dos serviços básicos, da criação de oportunidades económicas e da promoção da inclusão social.
Para Salim Valá, o reforço da capacidade institucional continua a ser um elemento central para melhorar a resposta dos Estados aos desafios do desenvolvimento. O governante considerou igualmente prioritário ampliar o acesso da população aos serviços essenciais e criar mais oportunidades económicas para a juventude.
“Além do tripé importante assente na fragilidade, conflitos e violência, é fundamental ter presente a vulnerabilidade dos países a choques internos e externos, incluindo crises económicas, climáticas, epidemiológicas e situações persistentes de conflitualidade”
Salim Valá – ministro da Planificação e Desenvolvimento
“É fundamental reforçar a capacidade institucional, melhorar a prestação de serviços essenciais e ampliar as oportunidades de emprego para os jovens, como estratégia para melhor explorar o dividendo demográfico em Moçambique”, afirmou.
A questão assume particular relevância para países africanos com populações maioritariamente jovens e elevados níveis de vulnerabilidade económica. Segundo diversos estudos internacionais, a falta de emprego, as desigualdades sociais e a limitada capacidade de prestação de serviços públicos tendem a aumentar os riscos de instabilidade e fragilidade institucional.
No caso de Moçambique, os debates ganham especial significado devido aos desafios enfrentados nos últimos anos, incluindo a insurgência armada em Cabo Delgado, aos impactos de eventos climáticos extremos e à necessidade de acelerar a recuperação económica e social das comunidades afectadas.
O Fórum sobre Fragilidade 2026 dedica parte significativa da sua agenda à análise de mecanismos de financiamento, políticas públicas e modelos de cooperação capazes de reforçar a resiliência dos países perante crises económicas, climáticas e de segurança.
Os participantes procuram igualmente identificar formas de melhorar a coordenação entre governos, parceiros de desenvolvimento e instituições financeiras internacionais.




























































