A startup nigeriana Tanda lançou uma plataforma tecnológica destinada a acelerar a digitalização dos mercados informais em África, permitindo que comerciantes tradicionais passem a vender os seus produtos através de canais digitais. A aplicação permite listar produtos, gerir encomendas e efectuar transacções digitais através de um sistema desenvolvido em torno das estruturas já existentes nos mercados locais.
Segundo o fundador e director-executivo da startup, Vincent Ibekwe, a estratégia da Tanda passa por trabalhar directamente com associações de comerciantes e agrupamentos de mercados, em vez de abordar individualmente cada vendedor. “Em vez de tratarmos o comércio informal como um sector fragmentado, integramo-nos directamente com associações e grupos de comerciantes, permitindo a adesão através de redes de liderança já estabelecidas e de confiança”, explicou.
A plataforma oferece funcionalidades como listagem digital de produtos, compras locais e remotas, preços por grosso para revendedores, sistemas de garantia para transacções, coordenação logística e assistência comercial baseada em Inteligência Artificial (IA) através de voz e chat.
De acordo com Ibekwe, o objectivo é integrar comerciantes tradicionalmente excluídos da economia digital e criar uma camada de comércio de última milha adaptada à realidade dos mercados africanos. “Milhões de vendedores que operam em mercados informais continuam afastados do comércio electrónico devido a factores como a reduzida literacia digital, a falta de mecanismos de confiança, limitações logísticas e dificuldades nos processos de adesão às plataformas existentes”, disse o executivo.
Paralelamente, segundo referiu, muitas das soluções actualmente disponíveis no continente foram concebidas para empresas formais e utilizadores com maior experiência digital, o que dificulta a sua adopção pelos pequenos comerciantes. “A nossa abordagem diferencia-se porque construímos a plataforma através das associações de comerciantes e não através da aquisição individual de utilizadores. Também concebemos a solução para funcionar em ambientes de baixa literacia tecnológica, recorrendo a sistemas de voz e chat suportados por IA, com foco na infra-estrutura dos mercados informais e não apenas na criação de lojas digitais”, afirmou.
A Tanda está actualmente a operar com recursos próprios, enquanto mantém conversações com potenciais investidores para uma ronda inicial de financiamento. Segundo o fundador, a resposta inicial dos comerciantes tem sido positiva. A startup encontra-se agora concentrada na monitorização da actividade dos utilizadores, do volume de transacções, da eficiência dos processos de adesão e da estabilidade da plataforma à medida que o número de utilizadores cresce.
Fonte: Disrupt Africa



























































