O Governo sul-africano quer reprimir os grupos responsáveis pela violência xenófoba, segundo afirmou, no domingo (7), o chefe de Estado Cyril Ramaphosa, numa altura em que os protestos anti-imigração mancham a reputação do país.
O Gana, a Nigéria, o Maláui e Moçambique estão a repatriar alguns dos seus cidadãos afectados pelos protestos, que por vezes degeneraram em actos de violência. Moçambique informou que mais de cinco dos seus cidadãos foram mortos.
“Actuaremos contra as forças que estão a explorar as preocupações do nosso povo relativamente à imigração ilegal para promover as suas próprias agendas políticas, pessoais e criminosas”, declarou Ramaphosa numa comunicação televisiva, sem especificar as medidas a adoptar.
“Não permitiremos, nem podemos permitir, que grupos utilizem as legítimas preocupações dos sul-africanos para desestabilizar o nosso país através do incitamento à desordem e à violência”, acrescentou.
O Presidente advertiu ainda os cidadãos para que não abordassem pessoas na via pública exigindo documentos de identificação, sublinhando que a aplicação das leis de imigração é uma responsabilidade exclusiva do Estado.
Os ataques xenófobos constituem um problema recorrente na África do Sul, onde os imigrantes são frequentemente responsabilizados por dificuldades económicas, como o elevado desemprego e a criminalidade. Os defensores dos migrantes consideram estas acusações injustas e afirmam que são exploradas por políticos populistas.
Ramaphosa afirmou que os migrantes estão a ser responsabilizados por problemas que resultam da pobreza e do elevado desemprego.
Segundo o Presidente, o Governo está a adoptar medidas para lidar com a migração, incluindo uma aplicação mais rigorosa dos regulamentos, a revisão da legislação e a cooperação com outros países para enfrentar as causas profundas da imigração ilegal.
“Actuaremos contra as forças que estão a explorar as preocupações do nosso povo relativamente à imigração ilegal para promover as suas próprias agendas políticas, pessoais e criminosas”
Cyril Ramaphosa
Ramaphosa referiu igualmente planos para a criação de tribunais especializados destinados a acelerar a tramitação dos processos de imigração, bem como a modernização do documento de identidade em papel, conhecido como “livro verde”, utilizado pelos sul-africanos e pelos migrantes em situação legal. Este documento está a ser substituído por cartões de identidade digitais biométricos mais seguros.
O Gana apresentou uma petição à União Africana relativamente ao tratamento dado aos cidadãos ganeses na África do Sul, informou no sábado o ministro dos Negócios Estrangeiros ganês, Samuel Okudjeto Ablakwa.
Segundo o governante, está também a ser elaborado um levantamento dos bens perdidos por cidadãos ganeses em consequência dos ataques na África do Sul, para eventual utilização em futuras acções judiciais.
Fonte: Reuters


























































