As principais praças asiáticas encerraram a primeira sessão da semana pintadas de vermelho, numa altura em que o pessimismo volta a instalar-se nos mercados financeiros, com os receios em torno da Inteligência Artificial (IA) e uma escalada no conflito no Médio Oriente a afastarem os investidores dos activos de risco. Pela Europa, a negociação de futuros do Euro Stoxx 50 aponta para uma abertura com perdas superiores a 1%.
O MSCI Asia Pacific Index – benchmark para a negociação do continente – está a cair mais de 3% nesta manhã, com as perdas regionais a serem lideradas pelo sul-coreano Kospi. O índice, “cabeça de cartaz” para a IA, devido ao grande peso de duas gigantes do sector, encerrou a sessão com perdas de quase 8%, isto depois de, na sexta-feira (5), o norte-americano Nasdaq Composite já ter registado a maior queda desde Abril de 2025.
A retirada dos investidores de acções ligadas à IA levou as sul-coreanas Samsung e SK Hynix a perderem 9,65% e 7,25%, respectivamente, enquanto a Taiwan Semiconductor Manufacturing, a principal fornecedora da Nvidia, a empresa mais valiosa do mundo, cedeu quase 3%.
No fim-de-semana, o Irão lançou vários ataques contra Israel em resposta ao ataque de Tel Aviv contra os subúrbios do sul de Beirute, no Líbano. Esta escalada acontece numa altura em que as negociações para pôr fim a um conflito que já dura há mais de três meses continuam entre Teerão e Washington, o que, em conjunto com um optimismo geral em torno da IA, tem alimentado um rally nas acções globais.
“É quase como se os investidores tivessem acordado de repente para uma realidade diferente esta semana, em que os dados sólidos sobre o emprego nos Estados Unidos da América (EUA), os crescentes receios de subida das taxas de juro e os riscos geopolíticos persistentes estão a assumir o papel principal, em detrimento da euforia em torno da IA”, afirmou Tim Waterer, analista-chefe de Mercado da KCM Trade, à Bloomberg.
Apesar de ter arrancado com o ciclo de alívio da política monetária mais tarde e com menos vigor do que os seus pares, a Reserva Federal (Fed) norte-americana pode vir a ter de se juntar ao movimento global de subida das taxas de juro — mesmo contra os desejos do Presidente Donald Trump. A persistência do conflito no Médio Oriente, que está a fazer disparar os preços da energia, em conjunto com um mercado de trabalho mais resiliente do que o esperado, estão a levar os investidores a apostar numa subida de 25 pontos base já este ano.
Entre as principais praças asiáticas, os chineses Hang Seng e Shanghai Composite perderam 1,58% e 1,66%, respectivamente, enquanto os japoneses Topix e Nikkei 225 cederam 2,75% e 4,16%. Pela Austrália, o pessimismo manteve-se, com o S&P/ASX 200 a cair 0,7%.



























































