Dezanove mil pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas no distrito de Ancuabe, província de Cabo Delgado, na sequência de ataques perpetrados por grupos armados não estatais entre 1 de Maio e 3 de Junho, revelou esta segunda-feira (8) a Organização Internacional para as Migrações (OIM), segundo informou a Lusa.
De acordo com o mais recente relatório da agência das Nações Unidas, os incidentes de violência provocaram o deslocamento de 19 325 pessoas para várias aldeias e centros de acolhimento dentro de Ancuabe, bem como para os distritos vizinhos de Montepuez e Chiúre. O número representa um aumento significativo face ao balanço anterior, divulgado a 12 de Maio, que apontava para 13 409 deslocados.
Os maiores movimentos populacionais foram registados nas zonas de Milamba Expansão, Nanjua A, Nanjua B e Meza-Sede, que acolhem actualmente 10 187 pessoas deslocadas. A maioria provém das localidades de Nacoja, Namacuile, Minheuene, Nanjua e Meza, entre outras áreas afectadas pela insegurança.
Entre os deslocados encontram-se 5658 mulheres, das quais 172 estão grávidas, e 9519 crianças, incluindo 12 menores não acompanhados. O levantamento identifica ainda 98 pessoas com deficiência e 444 idosos com mais de 60 anos.
A OIM manifestou preocupação com os riscos acrescidos enfrentados pelas populações deslocadas, nomeadamente a separação familiar, a violência baseada no género, a perda de documentação pessoal e o agravamento de problemas psicossociais decorrentes da deslocação forçada.
A deterioração da situação de segurança em Ancuabe intensificou-se nas últimas semanas. A 7 de Maio, elementos associados ao grupo extremista Estado Islâmico reivindicaram ataques no distrito, alegando ter destruído uma igreja, várias lojas e cerca de 220 residências na aldeia de Nacoja.
Cinco dias antes, insurgentes tinham atacado a aldeia de Minheuene, na localidade de Mazeze, onde destruíram a missão de São Luís de Monfort, fundada em 1946 e considerada um dos símbolos da presença católica na região. O ataque provocou igualmente a destruição de dezenas de habitações e o rapto de pelo menos 22 pessoas.
Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada desde Outubro de 2017. Segundo dados da organização Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED), foram registados 2397 eventos violentos desde o início do conflito, dos quais 2214 envolveram grupos associados ao Estado Islâmico Moçambique. No mesmo período, a violência terá provocado pelo menos 6624 mortes.
A persistência dos ataques continua a agravar a crise humanitária no Norte do País, aumentando a pressão sobre as comunidades de acolhimento e os recursos disponíveis para assistência às populações deslocadas.



























































