O Governo pediu, nesta sexta-feira (5), aos empresários nacionais para deixarem de ser “participantes periféricos” nos megaprojectos de mineração, hidrocarbonetos e energia, devendo preparar investimentos nestes sectores como estratégia para desenvolver o País.
“Queremos que as empresas moçambicanas deixem de ser participantes periféricos e passem a assumir um papel cada vez mais relevante nas cadeias de valor da mineração dos hidrocarbonetos e da energia”, apelou o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale.
O governante falava durante um encontro, em Maputo, com o sector privado nacional, liderado pela Confederação das Associações Económicas (CTA), para discutir o ambiente de negócios, em que lembrou aos empresários que o País vive um “momento de enormes oportunidades”, com o avanço dos megaprojectos de gás no norte e medidas concretas para assegurar oportunidades.
Na ocasião, Pale defendeu que é preciso que os recursos minerais e energéticos deixem uma “marca concreta” na vida dos moçambicanos, pedindo ao sector privado investimentos para explorar estes sectores.
Ao apresentar as potencialidades do País, o governante adiantou que o Executivo está a reforçar o quadro regulatório do sector dos hidrocarbonetos, incluindo a criação de espaços para a formação e capacitação dos empresários, a disponibilização de diversas linhas de financiamento e o acesso à informação para que as empresas nacionais conheçam com antecedência os planos de aquisição e oportunidades de fornecimento de bens e serviços nestes sectores.
“A mensagem central é simples: o Governo não pretende substituir competências por nacionalidade. Pretendemos criar condições para que a participação nacional se firme pela capacidade técnica, robustez financeira, disciplina de gestão, qualidade e competitividade”, disse.
Só no sector dos hidrocarbonetos, o ministro lembrou que se prevêem gastos com bens e serviços nos projectos de gás na ordem dos 5 mil milhões de dólares, a capacitação de mais de 15 mil trabalhadores e de pequenas e médias empresas, o envolvimento de 355 empresas na fase de construção e de aproximadamente 1500 empresas na fase de operação, apontando o sector como uma oportunidade de negócio para as empresas nacionais.
“É importante que, uma vez identificadas necessidades, sejam estabelecidas parcerias com empresas estrangeiras especializadas em cada uma das áreas numa perspectiva ‘win-win’ [em que todos ganham]”, sublinhou Pale.
O responsável apontou oportunidades ao sector empresarial nos projectos de gás natural veicular, na canalização de gás para o mercado doméstico e na produção de biocombustíveis, incluindo a sua mistura com combustíveis fósseis importados, além da necessidade de aumentar a capacidade nacional de armazenagem de combustíveis líquidos.

No sector de energias, elencou oportunidades de negócio na modernização e expansão do sistema eléctrico nacional, na geração, transporte e distribuição da corrente, incluindo em iniciativas de construção de redes solares em comunidades rurais.
Neste sentido, pediu projectos concretos, energia competitiva, infra-estruturas, financiamento, quadros qualificados e empresas nacionais preparadas, sendo por isso importante a intervenção do sector privado.
“Contudo, a existência de recursos não garante, por si só, energia acessível ao consumidor final, às nossas populações e ao sector produtivo. O preço e a competitividade de energia dependem de vários factores, nomeadamente da localização de recursos, dos custos de investimento, das infra-estruturas de geração, transporte e distribuição, das perdas técnicas, da eficiência operacional, da escala de projectos e da capacidade de mobilizar financiamento em condições competitivas”, acrescentou.
O governante concluiu afirmando ser urgente transformar as oportunidades em resultados, como serviços de manutenção e logística, fornecimento de alimentos, transporte, construção, formação e segurança industrial, transferência de conhecimento e de tecnologia.



























































