Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram a suspensão, a partir deste sábado, 6 de Junho, de vistos e a proibição à entrada de cidadãos vindos da República Democrática do Congo (RDC), do Uganda e do Sudão do Sul, devido ao ébola, noticiou a Lusa.
De acordo com a Autoridade Nacional de Gestão de Crises e Desastres, que está em articulação com outras instituições, a “emissão de novos vistos para cidadãos dos países mencionados, incluindo vistos de visita” está suspensa desde sábado.
A proibição de entrada no país do Golfo Pérsico para viajantes provenientes da RDC, Uganda e Sudão do Sul inclui também aqueles que se deslocam ao país apenas para fazer escala, a menos que tenham permanecido mais de 21 dias fora dos referidos Estados antes da sua chegada aos EAU.
A suspensão poderá ser prorrogada, e os voos de carga entre os EAU e os três países continuarão a operar, assim como os voos de trânsito, em que os passageiros permanecem nas áreas relativas aos voos internacionais, acrescentou a entidade.
O organismo assegurou que estas medidas fazem parte dos “esforços proactivos e preventivos para reforçar a preparação nacional face à evolução da situação relacionada com o vírus do ébola”, cuja epidemia está a afectar os países mencionados da África Central.
O vírus do ébola é transmitido por contacto directo com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e causa febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
Os Emirados são o segundo país do Golfo a tomar esta decisão, depois de o Bahrein ter suspendido os voos com estes países no passado dia 19 de Maio.
O Governo da RDC, país vizinho de Angola, elevou nesta quinta-feira (4) para 363 o número de casos confirmados da epidemia de ébola, incluindo 62 mortes, o que representa um aumento de 19 infecções e duas mortes, respectivamente, desde a passada terça-feira.
Inicialmente, o surto foi oficialmente declarado a 15 de Maio na província de Ituri, na fronteira com o Uganda e o Sudão do Sul, mas expandiu-se para as províncias congolesas orientais de Kivu do Norte e Kivu do Sul. A epidemia propagou-se ao Uganda, onde foram detectados até agora 15 casos, incluindo uma morte que se considera um caso importado da RDC.
A epidemia está associada à estirpe bundibugyo, cuja taxa de mortalidade oscila entre 30% e 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera “elevado” o risco na África Subsaariana e “baixo” à escala global.
África Oriental reforça coordenação regional contra o ébola
Por sua vez, os ministros da Saúde dos oito países da Comunidade da África Oriental (EAC) acordaram “medidas regionais urgentes” para reforçar a resposta à epidemia de ébola.
Os ministros, que se reuniram numa sessão virtual de emergência na segunda e terça-feira, acordaram “harmonizar a vigilância do ébola e as medidas de protecção em todos os aeroportos, portos e postos fronteiriços terrestres da região”, informou a EAC num comunicado, citado pela agência EFE.
Os responsáveis do sector decidiram, igualmente, criar “um grupo de trabalho técnico regional para coordenar a resposta ao surto atual”. Este será composto por peritos nomeados pelos Estados-membros e será responsável por acompanhar a epidemia, “coordenar as intervenções técnicas, analisar as tendências epidemiológicas e apresentar relatórios periódicos” aos ministros.
Os ministros salientaram igualmente a importância de “partilhar informações epidemiológicas em tempo real” entre os Estados-membros, a fim de facilitar a detecção precoce de casos e apoiar uma resposta regional coordenada.
A EAC, com sede em Arusha (Tanzânia), foi criada em 2001 e é composta pela Tanzânia, Quénia, Uganda, Ruanda, Burundi, Sudão do Sul, RDC e Somália.




























































