As ferramentas de Inteligência Artificial (IA) foram criadas para aumentar a produtividade, automatizar tarefas e reduzir o desgaste no trabalho. No entanto, várias investigações mostram que a utilização excessiva desta tecnologia também pode gerar fadiga mental, sobrecarga cognitiva e até sintomas próximos do burnout.
O fenómeno ganhou um nome entre os investigadores: “AI brain fry”, expressão utilizada para descrever o esgotamento causado pelo uso intensivo ou pela supervisão constante de ferramentas de IA, segundo a CNBC.
Quando a IA passa a aumentar a carga mental
Um dos cenários ocorre quando os trabalhadores precisam de supervisionar várias ferramentas de IA em simultâneo.
Um estudo da Harvard Business Review sobre a utilização da Inteligência Artificial no trabalho indica que o excesso de monitorização de sistemas automatizados pode aumentar a fadiga cognitiva, reduzir a concentração e provocar uma sensação de sobrecarga entre os trabalhadores. Os profissionais de marketing (25,9%) e de recursos humanos (19,3%) apresentam os níveis mais elevados de sobrecarga.
Além disso, parte dos trabalhadores relatou dificuldades em acompanhar o ritmo acelerado das entregas após a adopção da IA nas empresas. Em alguns casos, a tecnologia reduziu as tarefas operacionais, mas aumentou o volume de revisão, da validação e da correcção de conteúdos produzidos automaticamente.
Pressão pela produtividade intensifica o desgaste
Outro factor apontado é a pressão para produzir mais em menos tempo com recurso à Inteligência Artificial. Com respostas rápidas e automatização constante, muitos profissionais afirmam sentir uma expectativa permanente de hiperprodutividade.
O fenómeno ganhou um nome entre os investigadores: “AI brain fry”, expressão utilizada para descrever o esgotamento causado pelo uso intensivo ou pela supervisão constante de ferramentas de IA, segundo a CNBC
Um estudo da Workday, empresa americana de gestão financeira, realizado com 2150 trabalhadores que utilizavam IA no ambiente empresarial, revelou que parte dos inquiridos passou a sentir maior isolamento e desconexão no trabalho após o uso intensivo da tecnologia.
Segundo a investigação, 33% afirmaram raramente ter conversas que vão além das tarefas operacionais, enquanto 16% disseram ter menos paciência para interacções sociais depois da adopção frequente da IA.
O estudo conclui que a redução das ligações humanas no ambiente de trabalho pode aumentar a sensação de desgaste emocional e fadiga mental, sobretudo entre os profissionais mais jovens.
Utilização correcta da IA reduz o burnout
Nem toda a utilização da IA conduz ao esgotamento. De acordo com o estudo da Harvard Business Review, alguns trabalhadores relataram uma redução dos níveis de burnout quando utilizaram a IA de forma equilibrada, substituindo tarefas rotineiras ou repetitivas.
A tecnologia tende a trazer benefícios quando reduz actividades operacionais sem transformar o trabalhador num supervisor permanente de sistemas automatizados.
Fonte: Fast Company Brasil























































