A AskMandla é uma plataforma nativa do WhatsApp, que visa formalizar o emprego doméstico na África do Sul, oferecendo serviços essenciais tanto aos empregadores domésticos como aos trabalhadores do sector.
Lançada a 1 de Maio de 2025, por ocasião do Dia do Trabalhador, a AskMandla foi criada para integrar 1,6 milhão de trabalhadores domésticos e os agregados familiares que os empregam na mesma infra-estrutura digital já utilizada pelo resto da economia formal, através da plataforma que usam diariamente: o WhatsApp.
Para os empregadores domésticos, a plataforma transforma todo o processo de conformidade legal (contrato de trabalho, registo no Fundo de Seguro de Desemprego – UIF -, emissão mensal de recibos de vencimento e gestão administrativa contínua) numa simples conversa de dois minutos com Mandla, o assistente de Inteligência Artificial da empresa.
“Para o trabalhador doméstico, oferecemos algo que muitas vezes nunca teve: um recibo de vencimento formal, um registo documentado da sua relação laboral e o acesso antecipado ao salário já ganho. Assim, pode levantar uma parte dos rendimentos acumulados antes do final do mês e receber o dinheiro na sua conta bancária em menos de 24 horas. As taxas são transparentes, definidas antecipadamente e sem surpresas”, explicou Ean Barnard, da AskMandla, ao portal Disrupt Africa.
A AskMandla nasceu a partir da Shesha-LawZA, uma plataforma de trabalho doméstico criada pela directora jurídica da empresa, Janine Kane-Berman, que disponibilizava contratos e orientação sobre conformidade legal através de uma aplicação móvel.
“A base jurídica funcionava; o modelo de entrega não. Os trabalhadores domésticos não passam o dia sentados num escritório. Vivem no WhatsApp. Por isso, em 2025, reconstruímos toda a plataforma de raiz, tornando-a orientada para o WhatsApp e para a conversação. O resultado foi a AskMandla”, afirmou Barnard.
Para os empregadores domésticos, a plataforma transforma todo o processo de conformidade legal (contrato de trabalho, registo no Fundo de Seguro de Desemprego, emissão mensal de recibos de vencimento e gestão administrativa contínua) numa simples conversa de dois minutos com Mandla, o assistente de Inteligência Artificial da empresa
A África do Sul conta com cerca de 1,6 milhão de trabalhadores domésticos, sendo que aproximadamente 80% dessas relações laborais permanecem informais, sem contrato escrito, registo no UIF, recibos de vencimento ou histórico de emprego.
“Isso representa cerca 6,5 mil milhões de dólares em salários que circulam anualmente fora do sistema financeiro formal, sem protecção nem acesso a benefícios para ambas as partes”, explicou Barnard. “O problema está na ausência de uma infra-estrutura adaptada às necessidades dos agregados familiares.”
Segundo Ean Barnard, a adesão à plataforma tem sido constante. A startup, que já captou financiamento pré-semente, processou cerca de 300 mil dólares em salários de trabalhadores domésticos e emitiu quase mil recibos de vencimento durante o primeiro ano de operação.
Por enquanto, a AskMandla opera exclusivamente na África do Sul, onde pretende consolidar e validar o modelo de negócio.
“A componente legal e regulamentar do nosso produto baseia-se na legislação laboral sul-africana, codificada nos nossos agentes de inteligência artificial por Janine e pela equipa. Expandir para outro país implica reconstruir toda essa base jurídica de acordo com o respectivo código laboral. Estamos abertos a fazê-lo com o parceiro certo, no país certo e no momento adequado. Mas não será este ano.”
O modelo de negócio assenta em duas camadas. A primeira é composta pelas subscrições mensais, através das quais os empregadores pagam pelo serviço de conformidade legal e processamento salarial.
“A base jurídica funcionava; o modelo de entrega não. Os trabalhadores domésticos não passam o dia sentados num escritório. Vivem no WhatsApp. Por isso, em 2025, reconstruímos toda a plataforma de raiz, tornando-a orientada para o WhatsApp e para a conversação. O resultado foi a AskMandla”
Ean Barnard, director de crescimento da AskMandla
A segunda camada é constituída pelos serviços financeiros.
“O acesso antecipado ao salário foi o primeiro produto desta área e foi lançado em Abril deste ano. As taxas são apresentadas antecipadamente, antes de cada operação, ajustadas ao nível de rendimento do cliente e sem custos ocultos”, explicou. “Fomos muito cuidadosos neste aspecto, porque existe um longo historial de produtos de crédito predatório disfarçados de acesso a salários. Não queremos fazer parte desse padrão. Poupança, seguros e cobertura de saúde serão os próximos produtos desta camada fintech.”
Segundo Barnard, a estratégia passa por utilizar as subscrições como mecanismo de aquisição de clientes, enquanto os serviços financeiros representam a principal via de crescimento do negócio.
“Cada relação laboral gera um registo de emprego. Cada registo de emprego torna o trabalhador visível para o sistema financeiro. E é essa visibilidade que desbloqueia receitas de serviços financeiros em grande escala.”






















































