Uma startup americana de tecnologia nuclear estabeleceu uma parceria com uma das principais instituições de investigação do país para desenvolver um novo método de reciclagem de combustível nuclear usado, transformando-o em energia para reactores avançados.
A BLSK Energy, com sede em Nova Iorque, anunciou a assinatura de um Acordo Cooperativo de Investigação e Desenvolvimento (CRADA) com o Laboratório Nacional de Argonne (ANL), em Illinois, para comercializar a tecnologia de piroprocessamento, um processo avançado de reciclagem concebido para recuperar combustível utilizável de resíduos nucleares radioactivos.
O acordo concede à BLSK Energy acesso exclusivo à tecnologia desenvolvida por cientistas de Argonne, bem como às instalações de investigação e à perícia em engenharia nuclear do laboratório. A empresa pretende inaugurar uma unidade piloto de reciclagem até 2034, capaz de converter combustível nuclear usado em material adequado para reactores rápidos avançados.
O piroprocessamento, também conhecido como processamento piroquímico, utiliza sais fundidos e electricidade a altas temperaturas para separar materiais nucleares valiosos de resíduos radioactivos. Ao contrário dos reactores nucleares convencionais, os reactores rápidos podem reutilizar estes materiais recuperados de forma muito mais eficiente, extraindo potencialmente até 100 vezes mais energia do urânio.
O projecto surge numa altura em que os Estados Unidos continuam a enfrentar desafios crescentes em relação ao armazenamento de resíduos nucleares e ao fornecimento de combustível. O país acumulou cerca de 95 mil toneladas de combustível nuclear irradiado, armazenadas em mais de 75 locais em todo o território nacional. Embora grande parte deste material ainda contenha urânio reutilizável, também inclui elementos radioactivos perigosos, como o plutónio.
O acordo concede à BLSK Energy acesso exclusivo à tecnologia desenvolvida por cientistas de Argonne, bem como às instalações de investigação e à perícia em engenharia nuclear do laboratório.
Os planos a longo prazo para a eliminação de resíduos nucleares nos EUA permanecem indefinidos há décadas, enquanto a procura de combustível para reactores de nova geração deverá aumentar acentuadamente nos próximos anos. Os defensores do piroprocessamento argumentam que a tecnologia poderá ajudar a resolver ambos os problemas simultaneamente, reduzindo o volume de resíduos e criando uma nova fonte de combustível nacional.
Os investigadores afirmam que o processo pode reduzir o período em que os resíduos radioactivos precisam de permanecer isolados de cerca de 300 mil anos para aproximadamente 300 anos, refere o Interesting Engineering.
“O caminho a seguir é ambicioso, mas alcançável”, disse Bruce Landrey, director administrativo e co-fundador da BLSK Energy, acrescentando que o acesso à propriedade intelectual e aos projectos das instalações do Argonne reduz os riscos técnicos e regulamentares associados à comercialização.
A contribuição do Argonne para a parceria será liderada por Yoon Il Chang, director sénior de projectos nucleares e cientista responsável pelo desenvolvimento da tecnologia de piroprocessamento.
Fonte: Zap























































