As autoridades da província da Zambézia anunciaram o reforço das acções de combate à revenda ilegal de combustíveis, prática que, segundo o Governo, tem contribuído para a ocorrência de acidentes e incêndios, além de agravar a especulação de preços num contexto ainda marcado por constrangimentos no abastecimento.
De acordo com a Lusa, o posicionamento foi assumido pelo secretário de Estado na Zambézia, Avelino Muchine, durante um encontro com operadores do sector dos combustíveis realizado esta segunda-feira (2), em Quelimane. Na ocasião, o dirigente defendeu a identificação e o encerramento dos pontos de venda informal de combustíveis em galões, considerando que a actividade representa um risco para a segurança pública.
“Temos que ser vigilantes e identificar onde estão os revendedores em galões, esses que andam com essas situações que acabam resvalando em acidentes, em incêndios por aí”, afirmou.
Avelino Muchine acrescentou que as autoridades irão intensificar as acções de fiscalização para eliminar este tipo de comércio, apelando igualmente ao envolvimento da Polícia da República de Moçambique no combate à prática. “Vamos descobrir quem são esses revendedores e extinguir. Vamos mesmo acabar com isso. Aqui é tolerância zero, não é para brincadeiras isso, a polícia tem que ser implacável e nós temos que ser bastante vigilantes para acabar com esta brincadeira”, declarou.
Durante o mesmo encontro, o procurador provincial da Zambézia, Fred Jamal, manifestou preocupação com alegações de restrições no acesso aos combustíveis por parte de alguns postos de abastecimento, apesar da existência de operações de fornecimento a determinados clientes. “Eu também já vi algumas bombas que para o público não têm combustível, mas temos visto viaturas a abastecerem. As bombas têm a marca de que não têm combustíveis, mas temos visto viaturas a abastecerem”, afirmou.
O magistrado considerou preocupante qualquer prática que limite o acesso da população aos combustíveis num período de escassez, defendendo maior transparência na distribuição dos produtos.
Nas últimas semanas, Moçambique enfrentou dificuldades no abastecimento de gasolina e gasóleo, situação que provocou longas filas em diversos postos de abastecimento do País. Em algumas cidades, a Polícia recorreu ao destacamento da Unidade de Intervenção Rápida para garantir a ordem pública junto dos postos que dispunham de combustível.
Entretanto, os indicadores mais recentes apontam para uma gradual normalização do abastecimento, embora persistam preocupações relacionadas com a especulação de preços e a comercialização informal.
A pressão sobre o mercado intensificou-se após a revisão dos preços dos combustíveis anunciada pelo Governo a 7 de Maio. Nessa data, o preço do gasóleo aumentou 45,5%, enquanto o da gasolina registou uma subida de 12,1%, alterações justificadas pelas autoridades com a evolução das cotações internacionais dos combustíveis.
A situação continua a ser acompanhada pelas entidades reguladoras e pelas autoridades provinciais, que prometem reforçar a fiscalização para garantir o abastecimento regular e combater práticas consideradas ilegais no mercado.



























































